- Bitcoin opera a US$ 79.938 com queda de 0,3% no dia
- ETFs à vista de BTC registram saída de US$ 277,5 milhões na quinta
- Tron lidera top 10 com ganho semanal de 7,2%, à frente de ADA e SOL
O Bitcoin voltou a perder o patamar dos US$ 80 mil nesta sexta-feira, em uma sessão marcada pela primeira saída líquida dos ETFs à vista no mês. A maior criptomoeda do mundo era negociada a US$ 79.938, recuo de 0,3% nas últimas 24 horas, segundo dados do CoinGecko.
Apesar da queda diária, o ativo ainda acumula alta de 2,1% na semana. O movimento contrasta com o desempenho do Ether, que caiu 0,8% e era cotado a US$ 2.281, ampliando perda semanal de 1,1%. A diferença reforça a dianteira do BTC sobre o ETH no ciclo recente.
Entre as dez maiores criptomoedas por capitalização, Tron foi o destaque dos últimos sete dias. O token avançou 7,2%, seguido por Cardano (+6,6%) e Solana, que subiu 5,7% e atingiu US$ 89. HYPE, da Hyperliquid, ganhou 4% no período, enquanto BNB acrescentou 3%. O retorno das altcoins começa a aparecer enquanto o BTC perde força no topo.
Saída de ETFs encerra sequência positiva
Os ETFs de Bitcoin à vista listados nos Estados Unidos registraram US$ 277,5 milhões em saídas líquidas na quinta-feira, encerrando uma sequência de cinco pregões consecutivos de captação que somaram aproximadamente US$ 1,69 bilhão, conforme números compilados pela SoSoValue.
Os fundos de Ethereum seguiram o mesmo roteiro. O segmento perdeu US$ 103,52 milhões no dia, após quatro sessões positivas que injetaram US$ 271,6 milhões nos produtos. O patrimônio líquido total dos ETFs de ETH agora soma US$ 13,6 bilhões.
O dado é relevante porque os ETFs spot têm sido o principal canal de demanda institucional desde a aprovação dos produtos pela SEC. Quando o fluxo vira, o efeito sobre o preço à vista costuma se materializar com defasagem de um ou dois pregões. A reversão chega num momento em que o Bitcoin já vinha mostrando fragilidade técnica próximo da faixa dos US$ 80 mil.
Cripto fica para trás da bolsa americana
A correção em cripto acontece justamente quando o mercado acionário dos Estados Unidos opera em máximas históricas. O S&P 500 subiu 0,8% e atingiu 7.395 pontos. O Nasdaq Composite avançou 1,4% e ultrapassou 26 mil pontos pela primeira vez. Ambos caminham para a sexta semana consecutiva de ganhos, sequência mais longa desde outubro de 2024.
O motor da alta combina resultados corporativos sólidos e dados fortes do mercado de trabalho. Os Estados Unidos criaram 115 mil vagas em abril, contra projeção de 65 mil, e a taxa de desemprego ficou estável em 4,3%. Entre as 440 empresas do S&P 500 que já divulgaram balanços do primeiro trimestre, 83% superaram as estimativas dos analistas. Nvidia e Apple subiram mais de 2% no pregão.
O descolamento merece atenção. Em ciclos anteriores, o Bitcoin costumava se beneficiar da preferência por risco que move o Nasdaq. A ausência dessa correlação sugere que o capital institucional tem priorizado tecnologia tradicional e exposição via IA, deixando cripto sem o tradicional gatilho de fluxo.
CPI e tensão no Irã no radar
A próxima referência macro chega em 12 de maio, com a divulgação do CPI de abril. O dado anterior, de março, mostrou inflação anual de 3,3%, a leitura mais alta desde maio de 2024, pressionada pela escalada nos preços de energia ligada ao conflito no Oriente Médio.
A geopolítica segue como variável crítica. Na quinta-feira, Estados Unidos e Irã trocaram fogo no Estreito de Ormuz, e o Comando Central americano confirmou ataques a instalações militares iranianas em Bandar Abbas e na Ilha de Qeshm. O cessar-fogo de 8 de abril, frágil desde o início, está sob risco de colapso.
Para o investidor brasileiro, o cenário tem leitura dupla. Pressão inflacionária nos EUA tende a adiar cortes de juros pelo Fed, drenando liquidez global e fortalecendo o dólar — historicamente, ambiente desfavorável para o BTC em reais. Por outro, exchanges nacionais já registram queda nas reservas de Bitcoin, indicando que parte dos detentores locais retira moedas das corretoras mesmo em meio à volatilidade. Detalhes do comportamento dos fluxos institucionais seguem como guia para o curto prazo.

