- Banco ABC tokeniza R$ 300 milhões em recebíveis.
- TIDCs permitem monitoramento diário de carteiras pulverizadas.
- Blockchain aumenta eficiência e reduz assimetrias de informação.
O mercado financeiro brasileiro registrou um movimento inédito após o Banco ABC Brasil anunciar a tokenização de R$ 300 milhões em recebíveis. A operação utilizou a infraestrutura da Liqi. Realizada em dezembro, ela marcou a entrada do banco em um modelo tecnológico. Este modelo promete transformar a gestão de ativos de crédito no país, sobretudo em operações estruturadas e de grande complexidade operacional.
A Liqi, provedora de infraestrutura em blockchain, confirmou que converteu os recursos em Tokens de Investimento de Direito Creditório (TIDCs). Esses criptoativos representam participações vinculadas a Fundos de Investimento em Direitos Creditórios. Foram estruturados em duas operações que envolvem grande volume de contratos e fluxos financeiros recorrentes. Assim, a iniciativa se encaixa no foco do ABC Brasil, que atua fortemente no mercado corporativo.
De acordo com o CEO da Liqi, Daniel Coquieri, o protocolo TIDC foi desenvolvido para atender exatamente esse tipo de demanda. Ele explicou que a plataforma permite processar diariamente volumes massivos de recebíveis e registrar informações padronizadas sobre carteiras que podem incluir milhões de contratos. Entre os instrumentos presentes nessas estruturas estão CCBs, crédito consignado, recebíveis de INSS e FGTS, modalidades que exigem monitoramento constante.
Tokenização
Ao adotar o TIDC, o banco passa a acompanhar indicadores, fluxos financeiros e posições de carteira em tempo real. Essa visão contínua reduz assimetrias de informação. Ela permite identificar riscos antes do fechamento mensal, algo que costuma limitar a capacidade de resposta em operações pulverizadas. Com isso, o banco ganha mais precisão no controle da inadimplência e nos processos de liquidação e aquisição de ativos.
Além disso, Coquieri afirmou que a adoção do protocolo pelo ABC Brasil mostra que a blockchain já cumpre um papel concreto no mercado de crédito. Para ele, a tecnologia deixou de ser uma promessa distante.
Dessa forma, ela se tornou ferramenta capaz de elevar a eficiência e a segurança em operações complexas, especialmente em estruturas que tratam de grande fragmentação de contratos. Assim, ele ressaltou que as operações do banco demonstram maturidade tecnológica. Elas abrem espaço para novos modelos dentro do sistema financeiro.
Assim, o Banco ABC Brasil também destacou que o uso do protocolo faz parte de sua estratégia de integrar soluções tecnológicas que tragam ganhos reais para a gestão de carteiras pulverizadas. Em nota, a instituição afirmou que busca combinar solidez, rigor de risco e uso criterioso de ferramentas digitais nas suas operações de maior complexidade.


