- Impulso de liquidez pode reacender apetite por ativos de risco
- Reembolsos maiores fortalecem Bitcoin e ações populares do varejo
- Mercado pode subir rápido, mas impacto pode ser passageiro
Um movimento relevante de liquidez começa a ganhar força nos EUA e pode alterar o humor dos mercados. Analistas apontam para US$ 150 bilhões em restituições que devem entrar na economia até o fim de março. Esse fluxo adicional pode reverter parte da fraqueza vista no início do ano.
Segundo projeções do Wells Fargo, o dinheiro devolvido aos contribuintes tende a reforçar ativos de maior apetite ao risco, incluindo Bitcoin e ações especulativas. O banco lembra que o comportamento do varejo costuma mudar rapidamente quando grandes volumes entram em circulação.
Reembolsos maiores criam impulso inesperado
Os especialistas destacam que fatores legislativos ampliaram o valor médio das restituições. Ajustes da chamada “One Big Beautiful Bill Act” aumentaram os créditos para famílias e pessoas de renda mais elevada. Esses grupos devem receber uma parcela importante do total.
Além disso, a Receita Federal manteve tabelas defasadas de retenção ao longo de 2025. Muitos trabalhadores acabaram pagando impostos acima do necessário. Isso gera reembolsos maiores no início de 2026, criando um colchão financeiro inesperado.
Historicamente, cerca de 64% das devoluções são pagas até março. Esse padrão concentra a liquidez em poucas semanas e provoca reações rápidas nos mercados. O Wells Fargo lembra que a liquidez doméstica caiu cerca de US$ 105 bilhões no início do ano. Assim, a entrada de novos recursos pode compensar parte dessa perda.
O analista Ohsung Kwon classifica o ciclo atual como um “sinal de compra” para ativos de risco. Ele afirma que o S&P 500 avançou em todas as ocasiões anteriores após esse sinal, com ganhos médios próximos de 13% em seis meses.
Bitcoin e ações de varejo entram no radar
O Bitcoin aparece como termômetro dessa liquidez. Depois de recuar quase 29%, o ativo se encontra em zona sensível, onde pequenos aportes amplificam movimentos. A volatilidade histórica reforça esse cenário.
O relatório menciona ainda ações populares entre investidores individuais, como Robinhood e Boeing, que tendem a reagir com força quando o varejo volta ao mercado. Esse comportamento relembra momentos do movimento “YOLO”, marcado por apostas rápidas em ativos voláteis.
Contudo, nem todos veem um impacto duradouro. Pesquisas do JPMorgan e da Fidelity sugerem que o impulso pode criar apenas um pico momentâneo, sem alterar fundamentos. Além disso, as famílias de renda mais alta, principais beneficiárias dos reembolsos, têm maior inclinação para investir do que consumir. Isso amplia preços, mas não transforma o quadro macroeconômico.
Se os US$ 150 bilhões realmente chegarem ao mercado até março, ativos de alta volatilidade podem registrar movimentos desproporcionais. Porém, a extensão desse impulso dependerá de juros, expectativas econômicas e posicionamento institucional.
No fim, março pode se tornar menos sobre fundamentos e mais sobre timing de fluxo de caixa, com a liquidez guiando cada reação do mercado.

