- No primeiro turno, Polymarket e Kalshi davam 60% e 63% de chances para Lula liderar, mas Flávio Bolsonaro terminou em primeiro.
- No segundo turno, plataformas atribuíram até 89% de probabilidade de vitória a Flávio Bolsonaro, mas Lula conquistou a reeleição.
- Mercados movimentaram cerca de US$ 224 milhões em contratos eleitorais e corrigiram suas previsões somente durante a apuração.
As plataformas de mercados preditivos Polymarket e Kalshi terminaram as eleições presidenciais brasileiras de 2026 com dois erros importantes nas expectativas dos investidores. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, ambas apontavam Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como favorito para terminar a votação na liderança.
No segundo turno, realizado neste domingo (25), colocaram Flávio Bolsonaro (PL) como o candidato com maior probabilidade de conquistar a Presidência. Nos dois casos, os favoritos dos respectivos contratos foram derrotados nas urnas.
Apesar de serem frequentemente apresentadas como alternativas capazes de antecipar acontecimentos políticos, os mercados não conseguiram indicar corretamente os vencedores desses dois momentos decisivos da disputa. No entanto, é importante destacar que ambas as plataformas são proibidas no Brasil e, portanto, dificultando que brasileiros sem acesso a VPN façam suas apostas.
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No segundo turno, Lula conquistou a reeleição com aproximadamente 51,76% dos votos válidos, contra 48,24% de Flávio Bolsonaro, segundo parcial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgada às 21h17, com 99,79% das urnas apuradas. O petista somava 64.092.177 votos, enquanto o senador registrava 59.734.450.
O resultado contrastou especialmente com as probabilidades negociadas na véspera da eleição, quando Flávio chegou a concentrar mais de 80% das chances de vitória nas plataformas.
Polymarket e Kalshi também erraram no primeiro turno
O primeiro erro aconteceu em 4 de outubro. Na manhã da votação, a Kalshi atribuía aproximadamente 63% de probabilidade de Lula terminar na primeira colocação, contra 39% de Flávio Bolsonaro. Na Polymarket, o presidente aparecia com 60%, enquanto o senador registrava 41%.
Os números foram registrados pelo próprio Bitnotícias em reportagem publicada às 9h daquele domingo.
Mesmo depois do início da apuração, as plataformas continuavam colocando Lula como favorito nos contratos que perguntavam quem receberia mais votos no primeiro turno. Às 17h23, a Kalshi apresentava aproximadamente 66% de probabilidade para o petista, contra 33% para Flávio. Na Polymarket, os percentuais eram de 69% para Lula e 32% para o adversário.
Entretanto, o resultado oficial mostrou exatamente o contrário. Flávio Bolsonaro terminou em primeiro lugar, com 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03% dos válidos. Lula ficou na segunda posição, com 53.876.617 votos, ou 45,16%.
A diferença foi de 2.227.651 votos a favor de Flávio, contrariando os contratos que apontavam Lula como o mais provável primeiro colocado.
Existe, porém, uma distinção importante. Naquela mesma data, os mercados que perguntavam quem seria eleito presidente ao final de toda a disputa já apontavam Flávio como favorito, com aproximadamente 64% na Kalshi e 64,5% na Polymarket. Esses contratos consideravam também a possibilidade de segundo turno e não estavam prevendo quem terminaria a primeira votação na liderança.
No segundo turno, Flávio tinha até 84% de chance de vitória
Depois do primeiro turno, a confiança dos participantes dos mercados preditivos em uma vitória de Flávio Bolsonaro aumentou significativamente.
Em 9 de outubro, a Kalshi chegou a atribuir 88% de probabilidade de vitória ao senador. Na Polymarket, o candidato do PL atingiu 89% no mesmo período, deixando Lula com apenas 11%.
As cotações continuaram favoráveis a Flávio durante praticamente toda a reta final da campanha.
Na sexta-feira (23), após o último debate presidencial realizado pela TV Globo, a Polymarket apresentava aproximadamente 80% de probabilidade de vitória para Flávio Bolsonaro.
No sábado (24), véspera da votação, os números continuavam semelhantes. A Polymarket atribuía 80,2% ao senador e 20% a Lula. Na Kalshi, levantamento realizado às 8h45 indicava 77,5% para Flávio e apenas 22,2% para o presidente.
A própria Kalshi publicou uma análise naquele sábado afirmando que Flávio continuava com uma vantagem expressiva nos contratos, aparecendo com 84% de probabilidade de vitória.
No domingo (25), a situação permaneceu praticamente inalterada durante a manhã. A Polymarket apontava 79,6% de chances para Flávio e 21% para Lula. Na Kalshi, o senador também aparecia perto de 80%.
Entretanto, a apuração contrariou as expectativas predominantes antes da divulgação dos resultados. Lula assumiu a liderança da contagem e ampliou sua vantagem conforme novas urnas foram totalizadas.
As probabilidades também mudaram rapidamente. Às 20h25, quando a vitória de Lula já se desenhava, a Kalshi passou a atribuir 90% de chances ao petista, contra 10% para Flávio. Na Polymarket, a probabilidade indicada para Lula já ultrapassava 90%.
Segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo durante a apuração, os contratos relacionados à eleição brasileira já haviam movimentado aproximadamente US$ 204 milhões na Polymarket e US$ 20 milhões na Kalshi.




