O Jornal da Cultura desta quarta-feira (03.02) trouxe ao ar uma matéria sobre o recorde negativo do Brasil em furtos de dados de cartões de crédito.
A reportagem também tratou a respeito do maior vazamento de dados de brasileiros da história.
Na ocasião, em agosto de 2020 dois ataques hackers furtaram mais de 223 milhões de CPFs de brasileiros, além de mais de 40 milhões de CNPJs, e 104 milhões de registros de automóveis.
Além destes dados, várias outras informações dos contribuintes também foram vazadas.
O crime foi identificado apenas em 19 de janeiro deste ano, mostrando não apenas a letargia do sistema de segurança cibernético do país, mas também a tamanha falta de segurança cibernética de dados de pessoas físicas e empresas no país.
Os dados provavelmente foram vazados do SERASA, Órgão este que até tempos atrás possuía a permissão de vender tais dados a empresas sem a permissão dos contribuintes.
Em meio à reportagem, quando o assunto sobre a venda dos dados na darkweb estava sendo discutido, a apresentadora do Jornal, Karyn Bravo, perguntou à convidada especial e jornalista da Folha de São Paulo, Patrícia Campos Mello, sobre a venda destes dados na web.
A apresentadora do Jornal perguntou à convidada se “fatores como a darkweb e a criptomoeda tem facilitado estas transações?”
Mello respondeu que “a criptomoeda facilita muito por não haver rastro da transação”.
Em continuidade da resposta a jornalista da Folha de São Paulo disse que “mas a coisa das criptomoedas com certeza dificulta o rastreamento”.
Primeiramente há de se pontuar que o registro de transação das criptomoedas, em sua grande maioria (exceções como a Monero, ZCASH, e ZEN, por exemplo), é plenamente auditável.
Segundo que para uma Entidade ineficiente como aparenta ser a Divisão de Crimes Cibernéticos da Polícia de São Paulo, que investiga o caso, tanto faz se a transação de venda de dados ocorrer via Banco, dinheiro ou criptomoedas, pois sequer rastro dos hackers estes possuem.
Haja visto o crime ter sido descoberto nada menos que quase 6 meses depois do ocorrido.
Por fim, não há dados quaisquer no Brasil que mostrem que crimes diversos sejam facilitados por pagamentos via criptoativos.
Desta forma, apenas afirmar que os criptoativos facilitariam qualquer tipo de crime se torna obsoleto.
Apesar da reportagem em si “bater” nos Órgãos governamentais e nos Órgão fiscalizadores e protetores dos dados de pessoas, este comentário da jornalista convidada, assim como a própria pergunta da apresentadora do Jornal se tornam tendenciosos uma vez que toda a problemática básica é bem maior que responsabilizar no final os criptoativos como meio de segurança para crimes diversos, como os crimes cibernéticos, por exemplo.
E o que pode ser dito sobre o dinheiro FIAT que não possui nenhum sistema de segurança implementado para o rastreamento de suas transações?
O mundo cripto fundamentalista está mais do que cansado destes tipos de associações, e também está de olho nestes abusos para não permitir que apenas relações negativas sejam associadas ao uso de criptoativos.

