- Prisão expõe nova fase do golpe internacional da Generación Zoe
- Fuga com 611 BTC revela dimensão da fraude milionária
- Extradição difícil amplia tensão entre Venezuela e Argentina
A polícia venezuelana prendeu Rosa María González Rincón, apontada como uma das mentoras da Generación Zoe, um amplo golpe com criptomoedas que deixou milhares de investidores com prejuízo superior a US$ 120 milhões. A captura ocorreu na cidade de San Cristóbal, no estado de Táchira, após uma operação que mobilizou autoridades locais e a Interpol.
A fraude cresceu ao oferecer retornos mensais de até 7,5%, atraindo pessoas que buscavam lucros rápidos em um mercado cada vez mais popular. Entretanto, as autoridades revelaram que o modelo aplicado não passava de um esquema Ponzi, no qual os pagamentos aos primeiros participantes dependiam dos aportes dos novos investidores.
O esquema também usava promessas envolvendo bots de negociação e um criptoativo supostamente lastreado em ouro, o que reforçava a ilusão de segurança. Os investigadores descobriram que essas ferramentas serviam apenas para criar aparência de legitimidade e simular operações de mercado.
Estrutura do golpe e papel de González
Segundo as investigações, González teria apresentado ao líder da Zoe, Leonardo Cositorto, a proposta de usar algoritmos avançados de negociação. Ela afirmava que seu sistema tinha características de “segurança quântica” e poderia gerar retornos mensais de até 70%.
Em vídeos promocionais, a suspeita afirmava que o grupo tinha “o algoritmo mais avançado do mundo” e prometia ganhos impossíveis de sustentar. Essas declarações ajudaram a atrair milhares de pessoas para o esquema.
Após o colapso da Zoe em 2022, Cositorto foi condenado a 12 anos de prisão na Argentina. Pouco depois, ele afirmou às autoridades que González havia fugido com 611 Bitcoins, avaliados em cerca de US$ 56 milhões, desaparecendo antes de ser localizada pela polícia.
Fuga, prisão e tensão diplomática
De acordo com fontes ligadas ao caso, González teria deixado Buenos Aires usando serviços de segurança privada. Depois, viajou para a Venezuela, onde começou a organizar um novo golpe voltado a investidores argentinos, prometendo retornos mensais de 5% em aportes mínimos de US$ 1.000.
Ela também teria enviado dinheiro a colaboradores para que deixassem seus empregos e se dedicassem exclusivamente ao novo projeto. A ideia incluía lançar uma plataforma supostamente operada por empresas do Reino Unido e alimentada por robôs de negociação.
A repatriação de González, no entanto, promete ser complexa. As relações diplomáticas entre Caracas e Buenos Aires estão rompidas desde 2024, após as eleições venezuelanas consideradas “fraudulentas” pelo governo argentino. Esse cenário pode dificultar o processo de extradição.
Enquanto isso, especialistas destacam que o caso reforça como crimes envolvendo criptomoedas seguem em crescimento e como investidores precisam de mais informação e cautela para evitar armadilhas cada vez mais sofisticadas.

