- Token de Trump, o WLFI caiu horas antes da queda do Bitcoin.
- Amberdata aponta sinais fortes de estresse antecipado.
- Alavancagem fez impacto do WLFI atingir todo o mercado.
Um novo relatório da Amberdata reacendeu o debate sobre como certos ativos digitais reagem mais rápido a tensões de mercado. A análise mostra que o World Liberty Financial Token (WLFI), um token DeFi associado à família Trump, pode ter sinalizado um colapso relevante horas antes de o Bitcoin começar a cair. O estudo examina o episódio de 10 de outubro de 2025, quando quase US$ 7 bilhões em posições alavancadas foram liquidadas em menos de uma hora.
Nesse dia, o Bitcoin caiu cerca de 15%, enquanto o Ether registrou perdas próximas de 20%. Tokens menores, entretanto, chegaram a perder até 70%, o que evidenciou a violência do movimento. Mesmo assim, o relatório destaca que o WLFI iniciou uma forte queda mais de cinco horas antes da virada abrupta do mercado. Naquele momento, o Bitcoin ainda era negociado perto de US$ 121.000 e não exibia sinais claros de estresse.
O pesquisador Mike Marshall, autor do estudo, afirmou que “um intervalo de cinco horas é difícil de ignorar”. Segundo ele, essa diferença separa um alerta realmente útil de uma simples coincidência estatística. A investigação mapeou três sinais considerados incomuns: o salto repentino no volume negociado, a divergência acentuada entre o WLFI e o Bitcoin e o uso extremo de alavancagem dentro do mercado do token.
Trump
O relatório mostra que o volume horário do WLFI saltou para aproximadamente US$ 474 milhões, um número quase 22 vezes acima do normal. Isso ocorreu poucos minutos após a divulgação de notícias sobre tarifas comerciais. Além disso, as taxas de financiamento dos contratos perpétuos do token atingiram 2,87% a cada oito horas, o que representa um custo anualizado próximo de 131%.
Embora os dados possam sugerir movimentos coordenados, o estudo deixa claro que não há evidência de uso de informação privilegiada. A Amberdata argumenta que a estrutura do mercado cripto permite que certos ativos tenham impacto desproporcional ao tamanho, especialmente quando estão concentrados nas mãos de grupos específicos. No caso do WLFI, a base de detentores seria formada por participantes conectados politicamente, ao contrário da ampla distribuição vista no Bitcoin.
Além disso, o comportamento também chama atenção pela velocidade. A alta repentina no volume ocorreu cerca de três minutos após a notícia pública sobre tarifas. Para Marshall, essa rapidez indica execução preparada, e não uma simples reação de investidores varejistas analisando manchetes.
Alavancagem
A relação entre o WLFI e a queda geral envolve um ponto-chave: a alavancagem. Diversas plataformas de negociação permitem que diferentes ativos sejam usados como garantia. Assim, quando o WLFI despencou, o valor desse colateral diminuiu rapidamente. Isso levou muitos traders a vender Bitcoin e Ether para cobrir posições, pressionando ainda mais os preços e alimentando um ciclo de liquidações que se espalhou pelo mercado.
Assim, durante o episódio, a volatilidade realizada do token chegou a ser oito vezes maior que a do Bitcoin, o que reforça sua sensibilidade a choques. No entanto, Marshall ressalta que isso não significa que o WLFI possa prever quedas de forma consistente. O episódio analisado é único, portanto seria necessário acumular mais dados antes de afirmar qualquer padrão.
Mesmo assim, ele conclui que o comportamento do token é relevante. Segundo o pesquisador, “esse tipo de sinal tem valor limitado, porque desaparece assim que muitas pessoas começam a monitorá-lo.” Para ele, o episódio mostra como ativos altamente alavancados e estruturalmente frágeis podem reagir primeiro a choques e, assim, influenciar movimentos maiores no mercado cripto.


