- Vitalik alerta para excesso de complexidade no Ethereum.
- Propostas incluem simplificação profunda e coleta de “lixo” técnico.
- Rede deve priorizar invariantes, segurança e longevidade estrutural.
O cofundador do Ethereum, Vitalik Buterin, fez um apelo público por mudanças estruturais que podem redefinir o futuro da rede. Em uma análise extensa publicada esta semana, ele defendeu que o protocolo precisa se tornar muito mais simples para garantir trustlessness, longevidade e verdadeira soberania do usuário. O texto surge em um momento em que a comunidade discute novas funcionalidades e upgrades. Além disso, debate caminhos para manter o Ethereum competitivo em um ambiente cada vez mais técnico e fragmentado.
Buterin alertou que, mesmo quando uma rede possui milhares de validadores, alto nível de descentralização e tolerância a falhas complexas, ela pode perder sua essência se acumular camadas de código e criptografia sofisticada demais. Ele afirmou que, quando um protocolo depende de “centenas de milhares de linhas de código” e de estruturas criptográficas altamente especializadas, a plataforma deixa de ser verificável pelo usuário comum. Assim, passa a exigir confiança em especialistas. Assim, o sistema deixa de ser totalmente trustless.
Além disso, Vitalik destacou que esse acúmulo de componentes avançados enfraquece o chamado “teste do abandono”, que verifica se uma comunidade poderia manter o protocolo funcionando caso as equipes originais deixassem o desenvolvimento. Segundo ele, um protocolo excessivamente complexo impede que novos times assumam a manutenção com segurança e previsibilidade.
Ethereum
O desenvolvedor também pediu mudanças na forma como o ecossistema decide suas atualizações. Ele afirmou que existe uma tendência natural de incluir novas funções, mas raramente existe disposição para remover partes antigas. Isso, segundo ele, cria um caminho inevitável para o inchaço do protocolo, comprometendo sua segurança e sua capacidade de sobreviver por décadas. Por isso, defendeu um mecanismo claro e contínuo de “simplificação” e “coleta de lixo”.
Buterin definiu três métricas principais para essa simplificação. A primeira é reduzir o total de linhas de código, buscando um protocolo compacto e transparente. A segunda é evitar dependências desnecessárias em estruturas criptográficas muito avançadas. Ele foi direto ao dizer que protocolos baseados apenas em hashes permanecem mais seguros que sistemas que mesclam hashes, estruturas de lattices ou até isogenias. Estes, ele classificou como quase incompreensíveis para a comunidade geral. A terceira métrica é criar invariantes, ou seja, regras básicas que deixam as implementações mais previsíveis e reduzem riscos de falhas.
Vitalik citou exemplos recentes, como a remoção do selfdestruct e a criação de limites de custo por transação. Esses avanços tornaram o trabalho de clientes e ZK-EVMs mais estável. Ele também lembrou que reformas pontuais, como as mudanças no custo de gás em Glamsterdam, ajudam a trazer racionalidade para áreas antes definidas de forma arbitrária.
Mudanças para a rede evoluir
Porém, o ponto mais sensível do texto envolve a necessidade de grandes reformas estruturais. Vitalik mencionou que a transição do PoW para o PoS já foi um desses momentos. Ele disse ainda que o futuro Lean Consensus deve permitir outra rodada de correções profundas. Assim, poderá eliminar erros históricos e abrir espaço para um design mais limpo.
Outra proposta relevante é a adoção de uma compatibilidade “estilo Rosetta”, na qual recursos pouco usados deixam de ser obrigatórios no núcleo do protocolo e passam a existir como contratos inteligentes. Isso reduziria a carga técnica dos desenvolvedores de clientes e facilitaria futuras transições. Isso inclui uma eventual migração da EVM para uma máquina mais simples, como RISC-V.
Vitalik também afirmou que, no futuro, não faz sentido que clientes modernos sigam compatibilizando todas as versões antigas do Ethereum. Segundo ele, versões históricas podem rodar isoladas em containers, enquanto novas versões seguem apenas padrões atualizados.
O cofundador encerrou apontando que os primeiros quinze anos do Ethereum devem ser vistos como uma fase de experimentação intensa. Para ele, o próximo ciclo precisa priorizar estabilidade, clareza e remoção de excessos. Assim, a rede poderá evoluir para um protocolo estável o suficiente para atravessar gerações, independentemente de ciclos econômicos ou disputas ideológicas.


