- Blockchain está transformando processos de negociação, liquidação, custódia e transferência de ativos no sistema financeiro.
- Tokenização, CBDCs, stablecoins e contratos inteligentes ampliam eficiência, automação e acesso a operações financeiras digitais.
- A adoção dessas tecnologias também aumenta os desafios de cibersegurança, com foco em autenticação, proteção de chaves e criptografia pós-quântica.
A migração das empresas para tecnologias baseadas em blockchain está promovendo uma transformação estrutural no sistema financeiro, aproximando instituições tradicionais de modelos digitais e descentralizados.
Mais do que um movimento relacionado às criptomoedas, a mudança envolve a reconstrução de processos de negociação, liquidação, custódia e transferência de ativos, com potencial para tornar operações mais rápidas, automatizadas e acessíveis globalmente.
Um dos principais vetores dessa transformação é a tokenização de ativos do mundo real (RWA, na sigla em inglês). A tecnologia permite representar digitalmente ativos como títulos, recebíveis, imóveis e outros instrumentos financeiros em redes blockchain. Isso pode facilitar o fracionamento e a negociação desses ativos e permitir operações contínuas, reduzindo a dependência dos horários e estruturas tradicionais do sistema financeiro.
Outro componente importante é a evolução dos meios digitais de pagamento. Moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) e stablecoins vêm sendo desenvolvidas para diferentes finalidades, incluindo pagamentos e transferências internacionais.
Os contratos inteligentes (smart contracts) também desempenham papel relevante. Programas executados automaticamente a partir de regras previamente estabelecidas podem automatizar etapas de liquidação, repasses, pagamentos e processos de controle. Isso reduz intervenções manuais e processos de reconciliação, além de permitir o registro das operações diretamente na infraestrutura digital.
A nova arquitetura, porém, também amplia a superfície de risco das organizações. Leonardo Cardoso, Diretor de Relações Institucionais da TI Safe – empresa pioneira em segurança cibernética inteligente -, afirma que a transferência de operações financeiras para ambientes digitais exige mecanismos capazes de proteger identidades, chaves criptográficas e dados, além de garantir que as transações sejam executadas de acordo com as regras estabelecidas.
“Uma falha de configuração, autenticação ou gerenciamento de chaves pode gerar impactos financeiros relevantes, especialmente em operações de alto valor”, diz.
Nesse contexto, diz Leonardo, a cibersegurança passa a fazer parte da própria infraestrutura financeira. “A proteção de chaves criptográficas é fundamental para garantir que somente usuários ou sistemas autorizados possam assinar transações. Tecnologias baseadas em módulos criptográficos especializados permitem manter essas chaves protegidas e executar operações sensíveis em ambientes controlados”, explica.
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Autenticação: etapa decisiva de um sistema de segurança
A autenticação também ganha importância. Em operações financeiras de alto valor, mecanismos multifator e tecnologias passwordless, como as baseadas no padrão FIDO, podem reduzir a exposição a phishing, roubo de credenciais e outras formas de comprometimento de contas. “O objetivo é combinar segurança e usabilidade sem depender exclusivamente de senhas”, detalha o Diretor da TI Safe.
Há ainda um desafio de longo prazo relacionado à evolução da computação quântica. O especialista da TI Safe afirma que algoritmos utilizados atualmente para proteger informações e transações poderão, no futuro, ser submetidos a novas capacidades de processamento.
“Por isso, organizações que estruturam ativos digitais com horizontes de décadas precisam considerar a criptografia pós-quântica (PQC). A preocupação está relacionada ao conceito de harvest now, decrypt later, segundo o qual informações criptografadas podem ser capturadas hoje para uma eventual descriptografia futura. A resposta passa pela chamada agilidade criptográfica, capacidade de atualizar algoritmos, chaves e mecanismos de proteção sem reconstruir toda a infraestrutura tecnológica”, diz.
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Para empresas que avançam em direção à tokenização e à integração entre sistemas financeiros tradicionais e blockchain, portanto, o desafio não é apenas adotar uma nova tecnologia, mas construir uma infraestrutura de confiança capaz de acompanhar sua evolução.
“Isso envolve combinar governança, conformidade regulatória, proteção de dados, gerenciamento de identidades, segurança de chaves e capacidade de adaptação criptográfica”, afirma Leonardo.




