- Média móvel de 100 dias cruza acima da de 200 dias pela primeira vez no ciclo
- Payroll de setembro veio com 29 mil vagas, um terço do esperado
- Resistência em US$ 87.354 segue intacta após três tentativas
O Bitcoin entrou em outubro com dois sinais técnicos raros acontecendo ao mesmo tempo. O ativo é negociado perto de US$ 85.318, ou cerca de R$ 425.284 na conversão pelo dólar a R$ 4,98. Ainda abaixo do topo recente.
A barreira é conhecida: US$ 87.354. Esse foi o pico que travou as últimas tentativas de rompimento e segue funcionando como teto do movimento iniciado em julho, quando o BTC operava abaixo de US$ 60 mil.
O que mudou na última semana foi o pano de fundo macroeconômico. E ele passou a jogar a favor dos ativos de risco. Os empregadores americanos criaram apenas 29 mil postos de trabalho em setembro, segundo o Bureau of Labor Statistics. Economistas projetavam algo próximo do triplo disso. A taxa de desemprego subiu para 4,2%.
As revisões pioraram o quadro. Julho saiu de ganho de 21 mil para perda de 10 mil vagas. Agosto caiu de 162 mil para 133 mil. O crescimento anual dos salários desacelerou para 3,0%.
A reação foi imediata no mercado de juros. Antes do relatório, operadores de renda fixa atribuíam 64% de chance a uma nova alta de juros em outubro. Depois, essa probabilidade despencou para a faixa de 16% a 22%, dependendo da leitura. O Federal Reserve havia elevado a taxa em 0,25 ponto percentual em 16 de setembro, para o intervalo de 3,75% a 4,00%, em decisão unânime.
É o inverso exato do que aconteceu um mês antes. Em 4 de setembro, um payroll forte derrubou o Bitcoin mais de 2%, até cerca de US$ 79.300. Hoje o ativo opera aproximadamente 8% acima daquele patamar.

Média de 100 dias cruza acima da de 200 dias
No gráfico diário, o Bitcoin registrou em meados de setembro o golden cross clássico: a média móvel exponencial de 50 dias ultrapassou a de 200 dias. Agora veio o segundo, e ele pesa mais.
A EMA de 100 dias também cruzou acima da de 200 dias. A diferença entre os dois sinais não é cosmética. Um repique forte de dois meses consegue arrastar a média de 50 dias para cima da de 200. Já a média de 100 dias exige preço sustentado por um período bem mais longo.
Na prática, significa que o BTC não apenas saltou dos níveis de julho — ele reconstruiu a tendência de médio prazo. Curto e médio prazo passaram a operar acima da referência longa.
Há uma ressalva importante. Médias móveis são indicadores atrasados por construção. Elas confirmam um movimento já ocorrido em vez de antecipar o próximo. Os osciladores reforçam o quadro sem gritar euforia: o RSI está em 64,7, abaixo da zona de sobrecompra em 70, e o ADX marca 43,4, bem acima dos 25 que indicam tendência forte.
ETFs americanos captam US$ 189 milhões em um dia
O fluxo institucional não arrefeceu. Os ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos registraram US$ 189,84 milhões em entradas líquidas na última leitura diária, com patrimônio total de US$ 101,1 bilhões. Esse ritmo dialoga com os números do início de outubro.
Nas altcoins, pouca coisa se mexeu. O Ethereum segue perto de US$ 2.699 e o XRP em US$ 1,49, ambos praticamente estáveis em 24 horas. O Solana recua 1,5%, para US$ 119,81. O Cardano é a exceção do dia, com alta de 6,8%.



