- Ripple envia recomendações à SEC sobre padrões regulatórios para XRP e RLUSD
- World Liberty Financial, ligada aos Trump, amplia peso no debate cripto dos EUA
- XRP cotado a US$ 1,13 opera em queda de 0,8% nas últimas 24 horas
A Ripple intensificou o lobby regulatório em Washington ao entregar um pacote de recomendações a reguladores dos Estados Unidos sobre o tratamento normativo do XRP e da stablecoin RLUSD. O movimento acontece em um cenário em que a World Liberty Financial (WLFI), projeto de ativos digitais ligado à família Donald Trump, ganha protagonismo político e empurra a agenda cripto no Congresso e nas agências federais.
O documento entregue pela empresa pede padrões mais claros para emissão, custódia e classificação de ativos digitais. A ideia é encerrar a zona cinzenta que perseguiu o token por anos durante o processo movido pela SEC. No mercado, a leitura é de que a Ripple tenta transformar a vitória judicial parcial obtida em 2023 em regras escritas, blindando o XRP de novas investidas regulatórias.
WLFI e o peso político do clã Trump
A World Liberty Financial se tornou uma das pontas mais visíveis do avanço cripto sob a nova gestão republicana. O projeto opera token próprio, mira lançamento de stablecoin e aparece com frequência em fóruns setoriais em Washington. A proximidade com a família presidencial abriu portas que outras empresas do setor levariam anos para acessar.
Esse capital político tem efeitos práticos. Propostas de padronização regulatória para stablecoins, tokenização e ativos digitais têm avançado mais rápido no Congresso desde a posse. Levantamentos recentes mostram, inclusive, que a família Trump acumulou lucro bilionário em cripto mesmo com o Bitcoin corrigindo ao longo de 2026, o que reacendeu o debate sobre conflitos de interesse a senadora Kirsten Gillibrand já apresentou projeto para restringir memecoins vinculadas a políticos.
RLUSD entra na disputa das stablecoins
A RLUSD, stablecoin lastreada em dólar lançada pela Ripple, é peça central da estratégia. A empresa quer que o token seja tratado dentro de um marco específico para stablecoins de pagamento, categoria em construção no Legislativo americano. O timing importa, Ethereum e Tron concentram 81% do supply global de stablecoins, e a Ripple aposta que padronização clara pode abrir espaço para o XRP Ledger.
Do outro lado do Atlântico, a régua já é dura. A MiCA na União Europeia forçou a saída da USDT de plataformas como a Revolut, e a Standard Chartered obteve licença sob o novo regime para operar custódia em Luxemburgo. A Ripple usa esse contraste para argumentar que os EUA precisam de regras próprias, sob risco de perder emissores para a Europa e para a Ásia.
XRP a US$ 1,13 e os números que importam
No mercado à vista, o token opera em compasso morno. O XRP é negociado a US$ 1,12, ou cerca de R$ 5,85, com queda de 0,8% em 24 horas. O ativo acumula perdas expressivas em relação às máximas do último ciclo e testa a paciência de investidores que apostavam no rompimento acima de US$ 2. Análises técnicas apontam formação de cunha descendente com alvo em US$ 2 caso ocorra rompimento.
Para o investidor brasileiro, o efeito prático da agenda Ripple aparece em duas frentes. Primeiro, liquidez, Mercado Bitcoin, Foxbit e Binance BR listam XRP e RLUSD, reduzindo prêmio de risco no real. Segunda frente é regulatória: BC avança em regras de capital para exchanges até 2027, inspirado pelo modelo americano.
Ripple corre para transformar vitória em lei escrita
A empresa aumenta gastos com lobby, contrata ex-reguladores e amplia parcerias com bancos que testam liquidação transfronteiriça via XRP Ledger. O material institucional da própria Ripple reforça o discurso de que o setor precisa de linhas de base uniformes. Enquanto Washington debate CLARITY Act, Ripple quer ver XRP como commodity digital e encerrar passivo jurídico histórico herdado.
