- Trump afirma que era Gensler empurrou empresas cripto para fora dos EUA
- Governo promete leis permanentes de ativos digitais via Congresso
- Bitcoin opera a US$ 73.294 com queda de 3,3% em 24 horas
O presidente Donald Trump declarou que a indústria de criptomoedas dos Estados Unidos está de volta ao país, em mais uma fala que mira a gestão do ex-presidente da SEC, Gary Gensler. Segundo o republicano, as políticas adotadas entre 2021 e 2024 expulsaram empresas, traders de Bitcoin e desenvolvedores do mercado americano. A declaração reforça a aposta da Casa Branca em transformar os EUA em hub global do setor.
Trump afirmou que sua administração reverteu o cenário e prepara um arcabouço legal permanente para ativos digitais. A promessa envolve aprovar regras de estrutura de mercado pelo Congresso, retirando a regulação cripto do limbo em que viveu durante a era Gensler — marcada por dezenas de processos contra exchanges como Coinbase, Kraken e Binance.US.
O que muda com o fim da era Gensler
Sob Gensler, a SEC tratava boa parte dos tokens como valores mobiliários não registrados. A estratégia foi chamada de regulation by enforcement — regular via processo, sem clareza prévia. Empresas como Ripple, Consensys e Uniswap Labs gastaram dezenas de milhões em defesa jurídica. Muitas startups migraram para Dubai, Singapura e Suíça.
O atual presidente da SEC, Paul Atkins, reverteu várias dessas ações. A agência arquivou processos contra Coinbase e Binance no início do mandato Trump e criou uma força-tarefa cripto liderada pela comissária Hester Peirce. A mudança de postura coincide com o avanço do CLARITY Act, projeto que define quando um ativo digital é commodity (sob CFTC) ou valor mobiliário (sob SEC).
Reação do mercado e preços
O discurso pró-cripto, porém, não tem segurado os preços no curto prazo. O Bitcoin opera nesta quarta-feira a US$ 73.294, ou cerca de R$ 371.952, com queda de 3,3% em 24 horas. O Ethereum recua 4,6%, negociado a US$ 1.987, enquanto XRP, Solana e BNB caem entre 2,9% e 3,4%.
O movimento de baixa contrasta com o tom otimista do governo. Analistas atribuem a correção à saída líquida de capital dos ETFs spot, à desaceleração da demanda institucional e à incerteza sobre o ritmo de cortes de juros do Fed após a posse do novo chair. Quem aposta que o BTC pode buscar fundos próximos de US$ 74 mil vê o cenário atual como teste de suporte estrutural.
Impacto para o investidor brasileiro
A leitura local é mista. Por um lado, regras claras nos EUA tendem a destravar capital institucional e beneficiar exchanges globais com operação no Brasil — Binance, Coinbase, Kraken e Bitso. Por outro, o ambiente regulatório brasileiro segue em ritmo próprio. O Banco Central conduz a Consulta Pública 109, que vai definir as regras de prestadores de serviços de ativos virtuais (PSAVs), com expectativa de publicação ainda neste semestre.
A diferença de timing pode criar arbitragem regulatória. Enquanto Washington libera o setor, Brasília ainda discute capital mínimo, segregação patrimonial e custódia. Uma decisão recente da Justiça brasileira já estabeleceu que exchange não é obrigada a ressarcir cliente hackeado, ampliando o debate sobre proteção do investidor.
O Congresso americano discute ainda o GENIUS Act, focado em stablecoins, e a proposta de uma reserva estratégica de 1 milhão de BTC apresentada de forma bipartidária. Esses três pilares — estrutura de mercado, stablecoins e reserva soberana — formam a arquitetura que Trump promete consolidar até 2027.
A fala desta semana funciona também como sinal político para o eleitorado pró-cripto, base relevante nas eleições de meio de mandato. A retórica de apoio ao setor tem sido acompanhada de nomeações alinhadas em CFTC, Tesouro e agências federais. Resta saber se a aprovação no Congresso virá antes da próxima janela eleitoral.