- Aave liquidou US$ 293 mi em ativos do hacker da Kelp DAO
- DeFi United está 10% abaixo do ETH necessário para restituição
- Arbitrum DAO vota liberação de 30.765 ETH congelados até sexta
A Aave Labs executou nesta quarta-feira (7) a liquidação forçada de US$ 293 milhões em ativos roubados no hack da Kelp DAO, marcando avanço decisivo na recuperação dos fundos perdidos no ataque de 18 de abril. O protocolo DeFi transferiu o colateral liquidado para o Recovery Guardian, carteira multisig administrada pela coalizão DeFi United.
Thaddeus Pinakiewicz, vice-presidente de pesquisa da Galaxy Digital, confirmou que a DeFi United agora está apenas 10% abaixo do total de Ether necessário para restaurar completamente o token rsETH (restaked ETH) da Kelp DAO. A iniciativa representa um marco na recuperação de um dos maiores ataques DeFi de 2026, que abalou a confiança do mercado e drenou bilhões em liquidez.
Disputa judicial trava US$ 71 milhões
Apesar do progresso, 30.765 ETH (aproximadamente US$ 71 milhões) permanecem congelados pela Arbitrum DAO devido a uma ordem de restrição emitida na sexta-feira pelo escritório americano Gerstein Harrow LLP. A Aave protocolou uma moção de emergência para derrubar a medida judicial.
A votação na Arbitrum DAO sobre o desbloqueio dos fundos já registra mais de 90% de apoio entre os membros. O período de votação se encerra na sexta-feira (9), e a aprovação permitiria que a DeFi United acessasse os recursos finais necessários para completar o ressarcimento aos usuários afetados.
O sistema de seguro da Aave, chamado Umbrella, não precisou ser acionado durante as liquidações. A plataforma confirmou que os fundos dos clientes permaneceram intactos durante todo o processo de recuperação.
Impacto no mercado DeFi brasileiro
Para investidores brasileiros expostos a protocolos DeFi através de exchanges locais, o caso Kelp DAO reforça a importância da diversificação. A liquidação bem-sucedida demonstra que mecanismos de proteção coletiva como a DeFi United podem funcionar, mas também expõe a fragilidade de tokens derivativos como o rsETH quando há concentração excessiva em um único protocolo.
Em 28 de abril, a Aave havia anunciado que 13.000 ETH (cerca de US$ 30,2 milhões nas cotações atuais) seriam liberados após a liquidação do colateral do hacker nas redes Ethereum e Arbitrum. Esses fundos já foram incorporados ao fundo de recuperação.
A velocidade da resposta coordenada entre protocolos DeFi marca uma evolução importante em relação a ataques anteriores, quando a fragmentação do ecossistema dificultava ações conjuntas. O modelo DeFi United pode estabelecer precedente para futuras crises no setor.
Recuperação define novo padrão para o setor
O ataque à Kelp DAO expôs vulnerabilidades críticas em protocolos de liquid staking, onde usuários depositam ETH para receber tokens derivativos que podem ser usados como colateral em outras plataformas. Quando o hacker explorou essa mecânica, criou um efeito cascata que afetou múltiplos protocolos simultaneamente.
A criação da DeFi United como resposta coordenada estabelece novo modelo de governança em crises. Ao invés de cada protocolo agir isoladamente, a coalizão permitiu liquidações ordenadas e maximização da recuperação de fundos. Para o mercado brasileiro, onde a adoção de DeFi ainda é incipiente comparada a mercados maduros, o caso oferece lições valiosas sobre gestão de risco sistêmico.
Com a votação da Arbitrum DAO se aproximando do fim e apoio massivo à liberação dos fundos, o desfecho do caso Kelp DAO pode ocorrer nos próximos dias. A recuperação de 90% dos fundos em menos de três semanas desde o ataque seria um recorde no histórico de hacks DeFi, sinalizando amadurecimento dos mecanismos de proteção do setor.

