- American Bitcoin produziu 817 BTC no 1º trimestre, recorde histórico
- Custo de mineração caiu para US$ 36 mil, redução de 23%
- Reservas totais atingem 7.300 BTC avaliados em US$ 592 milhões
A mineradora American Bitcoin Corp. (ABTC), listada na Nasdaq e cofundada por Eric Trump, expandiu suas reservas para mais de 7.300 BTC, um patrimônio avaliado em aproximadamente US$ 592 milhões. A empresa se tornou a 16ª maior detentora corporativa de Bitcoin globalmente, após iniciar sua estratégia de acumulação em meados de 2025.
O primeiro trimestre de 2026 marcou um período de expansão acelerada para a companhia. A produção atingiu cerca de 817 Bitcoin, o maior volume trimestral já registrado pela mineradora. Paralelamente, foram adquiridos outros 803 BTC através de compras estratégicas no mercado.
Esse crescimento de aproximadamente 1.600 Bitcoin em três meses ocorreu mesmo com o preço do ativo caindo 22% no período. A métrica de satoshis por ação subiu para 663, um aumento de 20% que indica acumulação mais rápida que a diluição acionária.
Eficiência operacional melhora margens
A redução no custo de mineração foi o destaque operacional do trimestre. Cada Bitcoin produzido custou cerca de US$ 36.000, uma queda de 23% em relação ao período anterior. Essa eficiência permitiu manter margens brutas de mineração em torno de 52%, mesmo com a pressão baixista nos preços.
A receita de mineração totalizou US$ 62 milhões contra US$ 78 milhões no quarto trimestre de 2025. A diferença reflete exclusivamente a queda no preço do Bitcoin, já que a produção aumentou no período. A empresa reportou prejuízo líquido de US$ 82 milhões no trimestre.
Do ponto de vista de infraestrutura, a American Bitcoin expandiu sua frota própria para aproximadamente 89.242 mineradores. A capacidade total alcançou 28,1 EH/s, crescimento de 12% trimestral. O hashrate operacional atingiu 25,0 EH/s após a energização de nova capacidade no site de Drumheller.
Estratégia de acumulação desafia mercado
A decisão de manter e expandir reservas de Bitcoin durante um mercado em queda diferencia a American Bitcoin de outras mineradoras. Enquanto competidoras como a Core Scientific vendem BTC para financiar expansões em data centers, a empresa de Eric Trump aposta na acumulação de longo prazo.
A instalação de Drumheller adicionou 3,05 EH/s através de mineradores de última geração. Esses equipamentos mais eficientes contribuíram diretamente para a redução no custo de produção, criando uma vantagem competitiva em um ambiente de preços deprimidos.
Com US$ 592 milhões em Bitcoin no balanço, a American Bitcoin se posiciona entre as principais tesourarias corporativas do ativo. A estratégia espelha parcialmente o modelo da MicroStrategy, mas com a vantagem adicional de produção própria através da mineração.
A melhoria contínua na eficiência operacional sugere que a empresa pode sustentar margens positivas mesmo se o Bitcoin permanecer em patamares atuais. O custo de US$ 36 mil por Bitcoin minerado fica bem abaixo do preço de mercado, garantindo lucratividade operacional.
Para investidores brasileiros, o caso da American Bitcoin ilustra como mineradoras bem geridas podem navegar mercados baixistas. A combinação de produção eficiente com acumulação estratégica cria exposição dupla a uma eventual recuperação de preços. Mineradoras listadas em bolsa oferecem uma alternativa regulada para exposição ao setor, especialmente em um momento onde lucros de mineradores atingem máximas e podem reduzir pressão vendedora no mercado.

