- BGD Labs encerra atuação na Aave DAO em 1º de abril, após 4 anos de contribuição técnica.
- Equipe critica “posição adversarial” contra a versão v3 para promover a v4.
- Proposta de retainer de US$ 200 mil por 2 meses para segurança e transição.
A BGD Labs, principal colaboradora técnica da Aave, anunciou que deixará de atuar na DAO do protocolo a partir de 1º de abril.
Após quatro anos de contribuição quase exclusiva, a equipe citou mudanças organizacionais e divergências estratégicas sobre a evolução do projeto.
Divergências sobre v3 e v4 aceleram saída
Segundo a BGD, a DAO criou um “cenário organizacional assimétrico” e executou mudanças sem considerar a experiência dos colaboradores técnicos.
Além disso, a equipe afirmou que a Aave adotou uma “posição adversarial” contra a versão v3.
De acordo com o comunicado, a promoção de recursos da v4 impôs restrições implícitas e explícitas ao desenvolvimento da v3. Por isso, a continuidade do trabalho perdeu sentido estratégico.
“Cada vez que pensamos em melhorar a v3, haverá algum tipo de restrição artificial, não estamos interessados em permanecer nessa posição, pois consideramos um desperdício do nosso potencial.” afirmou a BGD.
Criada no início de 2022 para desenvolver soluções em DeFi e Web3, a BGD liderou ou colaborou em praticamente todos os subsistemas técnicos conhecidos da Aave. Portanto, sua saída representa uma mudança relevante na estrutura operacional do protocolo.
Até 1º de abril, entretanto, nada muda. A equipe seguirá atuando na v3, no Umbrella, na expansão para novas redes, na segurança e na listagem de ativos.
Além disso, a BGD propôs um retainer de US$ 200 mil por dois meses, focado em segurança, enquanto a comunidade busca um substituto. Ainda assim, admitiu que não existe um plano direto de transição formal.
Comunidade reage e questiona governança
A reação da comunidade foi, em grande parte, favorável à BGD. Muitos usuários demonstraram preocupação com a perda de um dos principais pilares técnicos da Aave.
“Se colaboradores independentes se sentem deixados de lado pela centralização na DAO, talvez a resposta seja clareza estrutural”, escreveu o usuário JosueMpia.
Alguns membros atribuíram responsabilidade ao fundador da Aave, Stani Kulechov. O executivo respondeu ao fórum e reconheceu a importância da equipe.
“Respeito a decisão da BGD, embora esteja triste em vê-los partir, o ecossistema DeFi é melhor com uma equipe como a BGD.”, afirmou.
A saída ocorre em um momento estratégico para o protocolo, que busca consolidar a v4 como nova etapa de crescimento. Portanto, a transição pode afetar prazos, auditorias e a evolução técnica da plataforma.
Além disso, o episódio reacende o debate sobre governança em DAOs. Embora descentralizadas, essas estruturas ainda enfrentam desafios de coordenação, alinhamento estratégico e retenção de talentos.
No curto prazo, a Aave mantém suas operações, no médio prazo, entretanto, a substituição de um núcleo técnico com quatro anos de histórico exigirá planejamento e consenso comunitário.
O caso pode servir de alerta para outros protocolos DeFi que dependem fortemente de equipes especializadas.

