- Warsh pode reduzir liquidez e pressionar o Bitcoin.
- Visão pró-Bitcoin desafia postura rígida do FED.
- Mercado teme volatilidade, mas vê oportunidade futura.
A chegada de Kevin Warsh à presidência do Federal Reserve reacendeu um debate importante sobre o futuro do Bitcoin. A indicação feita por Donald Trump, em 30 de janeiro, movimentou analistas porque Warsh carrega um histórico rígido contra a inflação, o que normalmente reduz a liquidez e pressiona ativos de risco, como o BTC.
Ainda assim, suas falas recentes mostram uma visão mais aberta ao setor, criando um cenário complexo e cheio de nuances. Warsh é visto como um “falcão” monetário, pois defende juros altos e um processo agressivo de redução do balanço da instituição.
Dessa forma, sua postura indica menos dinheiro circulando no sistema. Assim, o mercado já reagiu com cautela. Embora o Bitcoin tenha mostrado resiliência durante o ano, caiu para perto de US$ 81 mil quando as chances de sua nomeação atingiram 94% na plataforma Polymarket. Esse movimento reforça a leitura de que os investidores antecipam um ambiente mais restritivo.
No entanto, Warsh não é apenas um defensor da disciplina monetária. Em uma entrevista concedida em 2025, ele descreveu o Bitcoin como um “ativo importante” e um “policial” que ajuda a disciplinar erros dos bancos centrais.
Além disso, destacou que o comportamento do BTC funciona como um indicador claro de quando a política monetária falha. Essa visão, rara entre figuras de alto escalão, chamou atenção do setor.
Bitcoin nos EUA
Warsh também possui histórico de envolvimento com empresas do mercado cripto, como investimentos-anjo em Basis e Bitwise. Assim, sua postura demonstra conhecimento do ecossistema e abertura para inovações, mesmo mantendo uma abordagem tradicional em relação aos fundamentos econômicos. Isso contrasta com a percepção de parte dos analistas, especialmente porque ele critica duramente políticas como a flexibilização quantitativa pós-2008.
Mesmo com o dólar mais fraco em 2026, o Bitcoin não acompanhou o padrão histórico de alta. Em vez disso, perdeu mais de 13% enquanto outros ativos, como ouro, avançaram. Assim, esse comportamento sinaliza que o mercado vê o BTC mais como um ativo sensível à liquidez do que como proteção imediata contra a desvalorização das moedas tradicionais.
Warsh defende cortes de juros, mas não defende ampliar o balanço do FED. Dessa maneira, o possível cenário de “juros mais baixos com pouca liquidez” limita operações alavancadas e reduz euforia de curto prazo. Assim, especialistas como Markus Thielen classificam sua indicação como um risco, porque enxergam uma pressão negativa sobre criptomoedas quando o dinheiro barato desaparece.
O equilíbrio entre inovação e disciplina
Mesmo assim, há outro lado nessa discussão. Warsh reforça que as criptomoedas não ameaçam o dólar, mas oferecem uma disciplina externa essencial. Assim, sua visão pode ajudar a moldar um ambiente regulatório menos hostil. Embora o FED não defina essas regras diretamente, uma liderança mais aberta a tecnologias emergentes pode facilitar avanços institucionais.
No médio prazo, uma política monetária previsível e menos sujeita a estímulos inesperados pode fortalecer a busca por ativos de reserva, como o BTC. Além disso, o fato de figuras influentes, como Michael Saylor e Mark Andreessen, o classificarem como o primeiro presidente “pró-Bitcoin” da história do FED reforça esse potencial.
No entanto, o impacto final depende da confirmação de seu nome no Senado e da relação com o governo Trump, que pressiona por juros mais baixos. Assim, ainda existe incerteza sobre até onde Warsh cederia.


