- Nasdaq e Kraken desenvolvem infraestrutura para ações tokenizadas
- Modelo mantém direitos dos acionistas e regras do mercado
- Lançamento das primeiras ações tokenizadas previsto para 2027
A Nasdaq anunciou um acordo estratégico com a Payward, empresa controladora da corretora de criptomoedas Kraken, para desenvolver infraestrutura voltada à emissão e negociação de ações tokenizadas. Com este acordo, a iniciativa pretende conectar o mercado tradicional de capitais com a tecnologia blockchain. Além disso, vai criar novas formas de acesso global às ações de empresas listadas nos Estados Unidos.
As chamadas ações tokenizadas são representações digitais de papéis tradicionais registradas em redes blockchain. Em vez de existirem apenas dentro da infraestrutura convencional das bolsas, esses ativos passam a ter uma versão digital programável. Isso os torna capazes de circular em sistemas baseados em blockchain.
O projeto combina a infraestrutura de mercado da Nasdaq com o framework xStocks. Trata-se de uma tecnologia desenvolvida pela Payward para criar instrumentos financeiros tokenizados.
De acordo com as empresas, a estrutura adotada seguirá um modelo chamado issuer-sponsored, ou “patrocinado pelo emissor”. Nesse formato, as próprias companhias listadas continuam responsáveis por autorizar e controlar a emissão de versões tokenizadas de suas ações.
Segundo Tal Cohen, presidente da Nasdaq, a proposta foi desenhada para ampliar o acesso ao mercado de capitais norte-americano. Entretanto, não altera os direitos existentes dos acionistas.
“O modelo de ações tokenizadas patrocinadas pelo emissor foi criado para empoderar empresas públicas e melhorar o acesso global ao mercado de ações dos Estados Unidos”, afirmou Cohen em comunicado divulgado em 9 de março de 2026.
Nasdaq: lançamento previsto para 2027
A Nasdaq informou que o lançamento inicial da nova infraestrutura deve ocorrer no primeiro semestre de 2027. O cronograma aparece nas comunicações públicas da empresa e em reportagens do setor financeiro.
Nesse estágio inicial, o plano prevê a tokenização de ações de empresas listadas nos Estados Unidos.
As empresas envolvidas no projeto afirmam que os tokens representarão ações reais e continuarão vinculados ao valor negociado nos mercados primários. Dessa forma, o sistema pretende preservar mecanismos de proteção já existentes no mercado financeiro.
Entre esses mecanismos estão precificação adequada, liquidação ordenada das operações e manutenção dos direitos dos acionistas.
Arjun Sethi, co-CEO da Payward e da Kraken, destacou que a tecnologia busca integrar mercados tradicionais com novas infraestruturas digitais. Isso ocorre sem comprometer regras regulatórias.
“Com o xStocks, nosso objetivo é tornar as ações interoperáveis entre diferentes plataformas de negociação, aplicações financeiras e redes blockchain, preservando direitos dos emissores, proteções regulatórias e integridade de preços”, afirmou o executivo.
Conexão entre mercados regulados e blockchain
A parceria descreve a criação de uma espécie de ponte entre o mercado financeiro regulado e redes blockchain.
De acordo com as informações divulgadas, a negociação primária das ações tokenizadas deverá ocorrer em um ambiente controlado, com acesso restrito a participantes autorizados.
Ao mesmo tempo, a infraestrutura tecnológica permitirá integração com camadas de blockchain que funcionam em ambientes mais abertos. Esses ambientes são conhecidos como permissionless networks.
Esse modelo híbrido pretende manter o núcleo do mercado dentro das regras tradicionais de supervisão financeira, enquanto permite que ativos digitais interajam com novas plataformas tecnológicas.
As empresas também afirmam que qualquer integração com redes blockchain deverá preservar direitos legais dos emissores e proteção regulatória dos investidores.


