Ripple mira US$ 1 bi em receita anual sem contar XRP em caixa

  • Ripple projeta receita anualizada de US$ 1 bilhão até o fim de 2026
  • Meta exclui XRP no balanço e foca em produtos e serviços corporativos
  • Hidden Road, RLUSD e ferramentas de tesouraria sustentam a expansão

O CEO da Ripple, Brad Garlinghouse, colocou um número claro sobre a mesa para encerrar 2026. A companhia projeta atingir uma receita anualizada (run rate) de US$ 1 bilhão até dezembro. Isso está de acordo com declarações replicadas pelo CoinMarketCap e por contas do setor no X. O ponto central da meta de ripple: o cálculo desconsidera os tokens XRP guardados no balanço da empresa.

Assim, a separação não é detalhe contábil. Há anos, investidores e reguladores cobram clareza sobre quanto do caixa da Ripple depende da venda de XRP. Também perguntam quanto vem de produtos pagos por clientes. Além disso, ao isolar o token da projeção, Garlinghouse tenta posicionar a companhia como uma fornecedora de infraestrutura financeira. Ele não quer que ela seja vista como uma tesouraria de criptoativos.

Hidden Road e RLUSD sustentam a meta

XRP (4)

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O eixo da expansão passa pela Hidden Road, prime broker comprada em 2025 por US$ 1,25 bilhão. A operação adicionou crédito, clearing e corretagem prime ao portfólio da Ripple, com volume aproximado de US$ 3 trilhões liquidados por ano em diferentes mercados. É a peça que dá escala institucional ao discurso comercial de Garlinghouse.

Assim, o segundo pilar é a stablecoin RLUSD, lançada para uso corporativo em liquidação e como colateral. A Ripple vem amarrando o token a serviços de tesouraria, custódia e liquidez voltados a bancos e empresas. Em 13 de junho, a companhia liberou ainda o XRPL AI Starter Kit. Esta ferramenta permite a agentes de inteligência artificial criar carteiras, consultar saldos e executar pagamentos via protocolo x402, usando XRP ou RLUSD.

O conjunto desenha um modelo de receita recorrente: taxa por liquidação, juros em linhas de crédito, cobrança por custódia e spread em operações de câmbio cripto-fiat. Nenhuma dessas linhas depende de o preço do XRP subir.

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Demanda por XRP segue trilho separado

No mercado spot, o XRP é negociado a US$ 1,14 (cerca de R$ 5,82) nesta manhã de 14 de junho, com leve queda de 0,2% em 24 horas. Ainda assim, produtos de ETF ligados ao token registraram a quinta semana consecutiva de entradas líquidas. O valor soma aproximadamente US$ 10,68 milhões na janela encerrada em 12 de junho. No mesmo período, fundos de Bitcoin e Ethereum tiveram saques.

Além disso, a divergência reforça o argumento de Garlinghouse. Enquanto a demanda do investidor por exposição ao XRP responde a ciclo próprio — narrativa de ETF, fluxo institucional, expectativa regulatória —, o balanço operacional da Ripple precisa caminhar por outra trilha. Isso é necessário para convencer bancos e tesoureiros corporativos. Quem analisa o XRP do ponto de vista de preço pode acompanhar o comportamento técnico do ativo em separado do balanço da companhia.

CLARITY Act pode destravar bancos americanos

O plano de 2026 também depende do calendário regulatório nos Estados Unidos. O CLARITY Act foi aprovado pelo Comitê Bancário do Senado em 14 de maio, por 15 votos a 9. O texto ainda precisa de unificação com a versão do Comitê de Agricultura antes de seguir ao plenário. Para a Ripple, regras claras destravariam contratos com bancos americanos em custódia, pagamentos e liquidação de tokens — exatamente as linhas que sustentam a meta bilionária.

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Garlinghouse vem defendendo publicamente o avanço da legislação. O argumento é prático: bancos só ampliam exposição a cripto quando o regulador define o terreno. No Brasil, o desenho regulatório segue caminho próprio. O projeto de lei que limita o Drex está em tramitação na Câmara. Além disso, a Resolução BCB 277/2025 ainda está em fase de consulta sobre prestadores de serviços de ativos virtuais.

Ripple acelera na Ásia com foco em ETFs

Assim, fora dos EUA, a companhia tenta antecipar movimentos. No Japão, a corretora SBI protocolou pedido para o primeiro ETF duplo de Bitcoin e XRP regulado pela FSA. Isso abre nova janela de captação institucional ligada ao token. Já na Coreia do Sul, o XRP segue entre os ativos com maior giro nas exchanges locais. Dessa forma, ajuda a manter liquidez global mesmo em períodos de retração no mercado americano.

Garlinghouse fixou o número. Os próximos seis meses dirão se a Ripple consegue cumprir a meta sem depender do tíquete do XRP — e se o mercado, acostumado a confundir o ativo com a empresa, vai aceitar a separação contábil que o CEO está propondo.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.