- 16.622 em BTC Gain, cerca de US$ 1,2 bilhão em uma semana.
- Compra de 22.337 BTC entre 9 e 15 de março, com financiamento via ações.
- 761.068 BTC em caixa, mais de 3,5% da oferta total de 21 milhões.
Michael Saylor afirmou que a Strategy gerou 16.622 em BTC Gain, cerca de US$ 1,2 bilhão na semana.
A métrica não segue padrões contábeis tradicionais e mede apenas a expansão de Bitcoin por ação.
O que é o BTC Gain e como funciona
A Strategy, antes conhecida como MicroStrategy, utiliza três métricas próprias: BTC Yield, BTC Gain e BTC $ Gain, o objetivo é medir desempenho em termos de Bitcoin, e não em dólares.
O BTC Yield calcula o crescimento percentual das reservas de BTC em relação às ações diluídas. Além disso, o BTC Gain converte esse avanço em quantidade absoluta de Bitcoin, já o BTC $ Gain transforma o resultado em valor de mercado.

Na semana encerrada em 15 de março, a empresa reportou 2,3% de BTC Yield, portanto, acumulou 23.134 BTC de ganho no ano. Atualmente, a Strategy mantém 761.068 BTC, adquiridos a um preço médio de US$ 75.696 por unidade.
Saylor defende essa abordagem, em suas palavras, o BTC Gain seria o “o equivalente mais próximo ao lucro líquido no padrão Bitcoin”. Assim, ele argumenta que o foco deve estar no aumento de Bitcoin por ação, e não em métricas dolarizadas.
Entretanto, a empresa registrou prejuízo contábil de US$ 12,4 bilhões no quarto trimestre de 2025, isso ocorreu por causa da queda no preço do Bitcoin, que impacta o resultado sob as regras GAAP.
Financiamento, risco e impacto no mercado
A última compra de 22.337 BTC, avaliada em aproximadamente US$ 1,57 bilhão, ocorreu entre 9 e 15 de março.
A Strategy financiou a operação com US$ 1,2 bilhão em ações preferenciais “Stretch” (STRC) e US$ 400 milhões em ações ordinárias. Portanto, a expansão depende diretamente do acesso contínuo ao mercado de capitais.
As ações STRC pagam dividendo anual de 11,25%, além disso, esse custo recorrente pressiona a estrutura financeira. O BTC Gain, entretanto, não considera juros, dividendos ou obrigações da dívida. Por isso, analistas destacam que o indicador pode ocultar o custo real do capital.
A empresa mantém a meta de atingir 1 milhão de BTC até o fim de 2026, para isso, precisará adquirir cerca de 6.158 BTC por semana.
No ritmo atual, o objetivo exige forte demanda por suas emissões e estabilidade no mercado.
Atualmente, o Bitcoin negocia próximo de US$ 73.500, abaixo do custo médio da companhia. Além disso, as ações da Strategy caíram cerca de 69% desde o pico de 2025.
O mercado avalia a empresa com múltiplos ligados à sua exposição ampliada ao Bitcoin, incluindo métricas que consideram dívida e ações preferenciais.
Portanto, a estratégia reforça uma tese clara: ampliar Bitcoin por ação, entretanto, ela aumenta a dependência de liquidez externa e eleva o risco em ciclos de queda.
O debate segue aberto entre inovação contábil e exposição financeira. O resultado final dependerá do desempenho do próprio Bitcoin e da confiança dos investidores.


