- Migração para endereços pós-quânticos revelará controle sobre bitcoins de Satoshi
- Adam Back estima prazo de 20 anos antes de ameaça quântica real ao Bitcoin
- Carteiras ligadas a Nakamoto guardam 1,09 milhão de BTC avaliados em US$ 81,6 bilhões
Adam Back, CEO da Blockstream, afirmou durante a Paris Blockchain Week que uma futura migração do Bitcoin para endereços resistentes a computadores quânticos pode finalmente esclarecer quantas moedas associadas a Satoshi Nakamoto ainda são acessíveis.
A declaração ocorre em meio a debates crescentes sobre os riscos da computação quântica para criptomoedas. Back explicou que qualquer detentor que queira proteger suas moedas vulneráveis precisará movê-las para o novo formato de endereço.
“Essa migração para formato de endereço pós-quântico pode nos dizer quantas dessas moedas ele ainda possui”, disse Back. O executivo estima que o criador do Bitcoin controle entre 500 mil e 1 milhão de BTC.
Para investidores brasileiros, a revelação teria impacto direto na oferta circulante. Uma confirmação de que parte significativa dessas moedas está perdida poderia influenciar o preço global do ativo.
Proposta controversa divide comunidade
Na quarta-feira, Jameson Lopp e cinco coautores publicaram uma proposta de melhoria que visa restringir a movimentação futura de moedas em formatos de endereço vulneráveis a ataques quânticos. Isso inclui moedas antigas cujas chaves públicas já foram expostas.
Dados da plataforma Arkham indicam que carteiras vinculadas a Nakamoto detêm 1,09 milhão de Bitcoin. No câmbio atual, essa fortuna vale US$ 81,6 bilhões.
Back argumenta que o processo de migração daria tempo suficiente aos usuários para mover seus fundos. Moedas não movidas após o prazo estabelecido poderiam ser consideradas perdidas. Essa abordagem criaria clareza sobre a real oferta circulante do Bitcoin.

A discussão levanta questões importantes para exchanges brasileiras. Plataformas locais precisariam atualizar infraestrutura para suportar novos formatos de endereço, demandando investimentos técnicos significativos.
Ameaça quântica ainda distante
O CEO da Blockstream acredita que desenvolvedores e investidores têm tempo considerável para se preparar. “Um avanço quântico capaz de ameaçar assinaturas do Bitcoin está a pelo menos 20 anos de distância“, afirmou.
Computadores quânticos atuais são “menos poderosos que uma calculadora de US$ 5”, segundo Back. Além disso, problemas como consumo energético se tornam mais graves conforme esses sistemas aumentam de escala.
Em dezembro de 2025, a equipe de pesquisa da Blockstream divulgou um artigo propondo um esquema de assinatura baseado em hash como substituto resistente a ataques quânticos para as assinaturas ECDSA e Schnorr usadas atualmente.
Especialistas avaliam que mesmo com avanços acelerados em computação quântica, a criptografia do Bitcoin permanece segura no médio prazo. O consenso indica que a rede teria tempo hábil para implementar mudanças necessárias.
Solução técnica em desenvolvimento
A proposta da Blockstream oferece um “caminho promissor para proteger o Bitcoin em um mundo pós-quântico”. A segurança dependeria apenas de premissas de função hash, similares às já utilizadas no design da rede Bitcoin.
O Algoritmo de Assinatura Digital de Curva Elíptica (ECDSA) usa criptografia de curva elíptica para verificar autenticidade e integridade de mensagens. Já as assinaturas Schnorr são elogiadas por melhorar privacidade e reduzir tamanho de dados através da combinação de múltiplas assinaturas em uma única.
Esse prazo extenso deve dar a desenvolvedores e usuários tempo adequado para criar um caminho pós-quântico. A migração seria para um novo padrão resistente a ataques quânticos, sustentado por assinaturas baseadas em hash.
O processo de transição exigiria coordenação global entre mineradores, desenvolvedores e exchanges. Investidores precisariam movimentar ativamente seus fundos para novos endereços, criando picos de atividade na rede.
A discussão sobre segurança quântica ganha relevância enquanto investidores brasileiros avaliam riscos de longo prazo para suas carteiras de criptoativos. Qualquer mudança significativa no protocolo Bitcoin impactaria diretamente o mercado local, desde taxas de transação até estratégias de custody.
Mineradores brasileiros também acompanham o debate. Mudanças no protocolo podem afetar rentabilidade e exigir atualizações de hardware, influenciando a viabilidade de operações locais que já enfrentam desafios com custos energéticos.

