- Erebor Bank oferece depósitos segurados pelo FDIC até US$ 250 mil
- Sistema permite ACH, wires e stablecoins na mesma conta
- Palmer Luckey e Peter Thiel investem no banco cripto-nativo
Um novo modelo bancário começou a operar nos Estados Unidos nesta segunda-feira (22). A Erebor Bank, instituição regulada pelo governo americano, passou a oferecer contas que mesclam operações tradicionais em dólares com transações em stablecoins através de uma parceria com a fintech Infinite.
O serviço Infinite Accounts permite que empresas movimentem fundos via ACH, transferências internacionais e blockchain usando uma única conta. Depósitos em dólares contam com seguro do FDIC até US$ 250.000 por titular, por banco segurado e por categoria de propriedade.
As stablecoins acessíveis pela plataforma não possuem seguro FDIC. Não são depósitos bancários e podem perder valor, conforme alertou a empresa em comunicado oficial.
Sistema unifica pagamentos tradicionais e blockchain
Até agora, empresas que operavam com fiat e cripto precisavam manter relacionamentos bancários separados. Uma empresa de folha de pagamento, por exemplo, gerenciava provedores diferentes para pagar funcionários via ACH e contratados em stablecoins.
A plataforma desenvolvida pela Infinite elimina essa fragmentação. Através de uma API única, negócios podem executar transferências domésticas, wires internacionais e transações on-chain. O sistema também permite conversão automática entre dólares e stablecoins suportadas.
Uma plataforma de tesouraria pode receber pagamentos em fiat e convertê-los programaticamente para stablecoins. Liquidações cross-border tornam-se mais eficientes. A infraestrutura cuida do roteamento, verificações de compliance e reconciliação nos bastidores.
“Construímos a Infinite para tornar pagamentos em stablecoin tão fáceis quanto qualquer outro método”, afirmou Nikhil Srinivasan, CEO da empresa. O executivo trabalhou anteriormente na Coinbase e na Sardine, duas empresas especializadas em compliance cripto e prevenção de fraudes.
Banco cripto-nativo atrai investidores de peso
A Erebor Bank recebeu autorização do Office of the Comptroller of the Currency e iniciou operações no começo de 2026. Palmer Luckey, cofundador da Anduril Industries, lidera o projeto que já foi avaliado em bilhões de dólares.
Entre os investidores estão Founders Fund de Peter Thiel, Haun Ventures, 8VC e Lux Capital. O banco se posiciona como infraestrutura para a economia de inovação. Atende empresas cripto-nativas, startups e clientes de alta renda nos setores de IA, defesa e manufatura avançada.
A instituição já havia integrado a rede Sui para depósitos e saques diretos de stablecoins. Também oferece empréstimos colateralizados em cripto e liquidação blockchain 24 horas por dia, 7 dias por semana. Serviços bancários convencionais completam o portfólio.
Srinivasan cofundou a Infinite com o CTO Raj Lad. A experiência dos executivos em compliance cripto transparece no produto final. A plataforma inclui monitoramento KYC/AML integrado, verificação empresarial, workflows com IA, prevenção de fraudes e gestão Customer 360.
Modelo permite expansão sem licença bancária própria
Para a Erebor, a parceria amplia seu papel como backend regulado para fintechs construindo produtos nativos em stablecoin. A Infinite, por sua vez, consegue oferecer depósitos segurados sem precisar obter uma licença bancária.
A Infinite Agents, Inc. opera como empresa de tecnologia financeira. Não mantém, controla ou custodia fundos de clientes. Esse arranjo permite escalar rapidamente mantendo conformidade regulatória.
O programa funciona através do modelo Merchant Developer da Infinite. Plataformas terceirizadas integram via APIs e SDKs para oferecer serviços bancários e cripto sob sua própria marca. Desenvolvedores e merchants podem adicionar capacidades bancárias sem construir infraestrutura de pagamentos do zero.
A plataforma opera em mais de 170 países em determinados contextos. A lista completa de stablecoins suportadas está disponível no site da empresa. O alcance global sugere ambições além do mercado americano.
O lançamento reflete uma tendência mais ampla no mercado americano. Serviços institucionais de stablecoins estão sendo construídos sobre infraestrutura bancária regulada, em vez de contorná-la. Para investidores brasileiros que acompanham a evolução regulatória nos EUA, o modelo pode sinalizar caminhos futuros para integração entre bancos e stablecoins.
A entrada de players tradicionais como Palmer Luckey e fundos estabelecidos demonstra maturidade crescente do setor. Enquanto isso, no Brasil, o Banco Central avança com o Drex e investidores locais observam como modelos híbridos podem funcionar na prática.

