- Itaú lidera investimento em mineração com energia renovável
- Minter transforma energia excedente em poder computacional
- Banco avalia custódia e soluções para Bitcoin “clean”
O Itaú Unibanco liderou a rodada Série A da Minter Inc, empresa que constrói data centers voltados à mineração de criptomoedas. O aporte reforça o avanço do banco no setor de ativos digitais e amplia sua atuação em infraestrutura tecnológica.
A rodada também contou com a participação da Leste Group, da Legend Capital e de investidores individuais ligados ao mercado. O valor do investimento não foi divulgado pelas empresas envolvidas.
Fundada em 2023, a Minter reúne executivos com histórico nos setores de mineração digital, energia e mercado financeiro. O time fundador inclui profissionais com passagens por empresas como Hashdex, CleanSpark e Kapitalo.
A companhia estrutura sua atuação a partir de uma característica relevante do sistema elétrico brasileiro. O país possui uma matriz majoritariamente renovável, mas enfrenta limitações operacionais no escoamento dessa energia.
Assim, o crescimento acelerado de fontes intermitentes, como solar e eólica, tem ampliado episódios de corte obrigatório de geração. Esse fenômeno, conhecido como curtailment, ocorre quando há excesso de oferta ou restrições de transmissão.
Nesses casos, usinas reduzem ou interrompem a produção mesmo com capacidade disponível. A decisão parte do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que busca equilibrar oferta e demanda.
Modelo usa energia excedente para mineração
Além disso, a Minter propõe uma solução baseada na instalação de data centers próximos às usinas renováveis. Esses centros absorvem a energia que seria desperdiçada durante os períodos de curtailment.
Ao operar diretamente no ponto de geração, a infraestrutura reduz perdas e aumenta a eficiência do sistema. Além disso, os equipamentos podem ser desligados rapidamente quando a energia precisa voltar à rede.
“Levamos o consumidor até o ponto de geração”, afirma Stefano Sergole, CEO da Minter. Segundo ele, o modelo converte eletricidade em poder computacional.
Esse poder computacional permite validar transações na rede Bitcoin. Assim, a empresa monetiza a energia excedente por meio da mineração de criptomoedas.
Assim, a estratégia já saiu do papel. A Minter implementou um projeto de 20 MW na Bahia, em parceria com uma das maiores geradoras renováveis do país.
Itaú mira novos produtos no ecossistema cripto
O investimento também abre espaço para o desenvolvimento de novos serviços no Itaú. O banco avalia soluções de liquidação e custódia para os Bitcoins minerados.
Outro ponto em análise envolve o acesso a ativos recém-minerados com origem em energia renovável. Parte do mercado chama esse conceito de “Bitcoin clean”.
De acordo com Phillippe Schlumpf, superintendente do Itaú Ventures, a tese combina expansão energética e demanda por infraestrutura digital. Ele destaca que o banco prioriza segurança, governança e aplicação prática.
O movimento faz parte da estratégia do Itaú Ventures, braço de capital de risco do banco. A estrutura passou por reformulação após a internalização da equipe que atuava pela Kinea.
Hoje, os Estados Unidos concentram a maior parte da mineração global de Bitcoin. Dados do Hashrate Index indicam participação de 37,8% do país no hashrate da rede.
Assim, a Minter avalia que o Brasil pode desenvolver um modelo semelhante, baseado em carga flexível. Além disso, com o novo capital, a empresa pretende expandir operações no país e avançar para o mercado norte-americano.
Além da mineração, a companhia observa oportunidades em computação de alto desempenho. Esse segmento inclui aplicações como treinamento de inteligência artificial, que demandam grande capacidade energética e computacional.


