Inflação dos EUA sobe a 3,8% e empurra corte do Fed para depois

  • Inflação anual nos EUA sobe a 3,8%, maior nível desde maio de 2023
  • Mercado de previsão indica 61,9% de chance de zero cortes do Fed em 2026
  • Conflito EUA-Irã fecha parcialmente o Estreito de Ormuz e dispara energia

A inflação ao consumidor nos Estados Unidos avançou para 3,8% em base anual, o patamar mais alto desde maio de 2023. O salto é puxado por uma onda de pressão nos preços de energia, alimentada pelo conflito direto entre Washington e Teerã.

O dado endurece o tom do Federal Reserve e praticamente apaga as apostas em afrouxamento monetário no curto prazo. Em plataformas de mercado de previsão, a probabilidade de um corte de juros até junho de 2026 caiu para 2,4%, contra 3% uma semana antes. Já a chance de o Fed encerrar 2026 sem nenhum corte subiu para 61,9%, ante 57% no dia anterior.

O gatilho é geopolítico. O fechamento parcial do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo, comprimiu a oferta global e disparou os preços de gasolina e óleo combustível nos EUA. Esse repasse aparece com força no índice de preços ao consumidor de abril, sustentando a leitura de uma inflação cada vez menos transitória.

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O que mudou na curva de juros

Antes do dado, parte do mercado ainda projetava ao menos um corte simbólico no primeiro semestre de 2026 para amortecer sinais de desaceleração no emprego. Esse cenário esvaziou. Operadores agora trabalham com um Fed parado por mais tempo, e a curva de Treasuries volta a embutir prêmio de inflação nos vencimentos longos.

O recado para ativos de risco é direto. Com juros reais mais altos por mais tempo, o custo de oportunidade contra Bitcoin, ouro e ações de tecnologia sobe. Foi essa leitura que pesou na rejeição do BTC na média móvel de 200 dias, conforme o BitNotícias mostrou na análise sobre o teste da SMA de 200 dias.

O CPI também valida a sequência negativa que o mercado cripto vinha desenhando desde o último dado do CPI acima do esperado. Dois meses consecutivos de surpresa inflacionária consolidam a narrativa de que o ciclo de aperto não terminou apenas pausou.

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Impacto no Bitcoin e no mercado brasileiro

Historicamente, leituras de CPI acima do consenso provocam reação imediata em Bitcoin e ETFs spot. O padrão se repetiu agora: a aversão a risco voltou para a mesa de operações antes mesmo da abertura de Wall Street. Mineradoras listadas e empresas com tesouraria em BTC, como a Strategy, sentem o golpe duplo caem por alavancagem operacional e pela compressão de múltiplos.

Há ainda o canal energético. O choque no preço do petróleo eleva o custo marginal de produção de Bitcoin para mineradores com matriz suja, estreitando margens. O ponto foi tratado pelo BitNotícias na cobertura sobre o ataque no Estreito de Ormuz e seus efeitos sobre a indústria.

Para o investidor brasileiro, o efeito chega por três frentes. Primeiro, o dólar tende a se valorizar contra o real enquanto o Fed mantém juros elevados, o que sustenta o preço do BTC em reais mesmo em correções de dólar. Segundo, o Banco Central ganha menos espaço para acelerar cortes na Selic qualquer descolamento em relação ao Fed pressiona o câmbio. Terceiro, a tese de Bitcoin como hedge contra inflação volta a ser testada na prática, e o desempenho relativo ao S&P 500 nas próximas semanas vai pesar nas alocações institucionais brasileiras.

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O que monitorar nas próximas semanas

O foco do mercado se desloca agora para três variáveis. A primeira é a próxima reunião do FOMC e o discurso de Jerome Powell, que precisará reconhecer a piora inflacionária sem colapsar a expectativa de mercado. A segunda é o desdobramento militar entre EUA e Irã qualquer escalada que mantenha Ormuz parcialmente fechado prolonga o choque de oferta no petróleo. A terceira é o relatório de empregos, um payroll ainda forte combinado com CPI alto eliminaria de vez a porta de saída do Fed.

Enquanto isso, o capital institucional reduz exposição em ativos de duration longa. ETFs de Bitcoin e Ether registraram resgates líquidos nas últimas sessões, e o fluxo de stablecoins para exchanges desacelerou sinal clássico de cautela antes de eventos macro decisivos.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.