- MoonPay adquire Sodot e cria braço institucional voltado a bancos e gestoras
- Caroline Pham, ex-presidente interina da CFTC, comandará o novo negócio
- Volume de stablecoins atingiu US$ 33 trilhões em 2025, diz a empresa
A MoonPay anunciou nesta quarta-feira a compra da israelense Sodot e o lançamento da MoonPay Institutional, divisão voltada a bancos, gestoras de ativos, mesas de trading e exchanges que estão entrando no mercado de ativos digitais. O movimento aproveita a corrida de instituições financeiras tradicionais por infraestrutura cripto pronta para uso.
O comando do novo braço fica com Caroline D. Pham, ex-presidente interina da Commodity Futures Trading Commission (CFTC), reguladora de derivativos dos Estados Unidos. Pham entrou na MoonPay como CEO da Moon Global Markets e acumula os cargos de diretora jurídica e administrativa. A contratação de uma figura recém-saída de um órgão regulador americano sinaliza a aposta da companhia em diálogo institucional num momento em que projetos como o CLARITY Act avançam no Congresso.
O que a Sodot traz para a mesa
Fundada em 2023 por Ido Sofer, Shalev Keren, Matan Hamilis e Elichai Turkel, a Sodot desenvolve infraestrutura de gerenciamento de chaves privadas e credenciais de API. A tecnologia combina computação multipartidária (MPC) e ambientes de execução confiáveis (TEE), padrão usado por custodiantes que precisam dividir o controle de chaves sem expô-las a um único ponto de falha.
Segundo a própria empresa, a plataforma já processou mais de US$ 50 bilhões em transações e protege mais de 10 milhões de carteiras. Toda a equipe, a base de clientes e a operação israelense passam para a MoonPay, que pretende ampliar a presença local em Tel Aviv.
A escolha da Sodot reforça uma tendência, depois de hacks bilionários em exchanges centralizadas, fundos e tesourarias corporativas só topam operar com custodiantes que separam matematicamente a posse das chaves. É o mesmo motivo que levou tesourarias brasileiras listadas a contratar provedores como Fireblocks e BitGo antes de alocar reservas em Bitcoin.
A pilha institucional da MoonPay
A MoonPay Institutional empacota cinco camadas num único contrato. A primeira é a infraestrutura de carteiras com MPC e TEE da Sodot. Em seguida vem a custódia regulada via MoonPay Trust Company, uma Limited Purpose Trust de Nova York supervisionada pelo NYDFS. A pilha inclui ainda um Crypto API Vault para gerenciar credenciais de exchanges, execução on-chain com mobilidade cross-chain de colateral e liquidez agregada de OTC e DeFi.
A conectividade abrange Ethereum, Solana, Base, Arbitrum, BSC, Hyperliquid e Uniswap, além de mais de 200 redes e protocolos. A estrutura inclui stablecoins white-label, reservas e liquidação cross-border em 120 moedas, facilitando emissões tokenizadas para fintechs brasileiras.
A operação se apoia em integrações já existentes com PayPal, Paysafe e Deel. A rede de pagamentos da MoonPay chega a 7,5 mil comerciantes, carteiras e aplicativos, e a empresa estima atender 100 milhões de usuários finais. O movimento acompanha aquisição da Iron, em 2025, e lançamento do cartão Mastercard com USDT da Tether.
Demanda institucional em alta
O timing não é casual. Citando pesquisa do Federal Reserve, a MoonPay afirma que o volume transacionado em stablecoins chegou a US$ 33 trilhões em 2025, com o primeiro trimestre de 2026 sozinho superando US$ 28 trilhões. A capitalização total do segmento passou de US$ 317 bilhões, alta de mais de 50% desde o início de 2025.
Dados da Nomura mencionados pela empresa indicam que mais de dois terços dos investidores institucionais querem exposição a rendimentos em DeFi. Pesquisa do Goldman Sachs aponta que 71% dos gestores institucionais planejam aumentar a exposição a ativos digitais nos próximos 12 meses. O Brasil acompanha o vetor, relatórios recentes colocaram o país entre os líderes globais em cripto institucional, especialmente em produtos listados.
Para o investidor local, o desdobramento prático é a chegada de mais infraestrutura pronta para gestoras brasileiras emitirem stablecoins próprias ou estruturarem fundos tokenizados, caminho que a BlackRock vem trilhando com a Securitize nos Estados Unidos. A consolidação da MoonPay disputa esse mercado diretamente com Fireblocks, Anchorage e BitGo, hoje os fornecedores preferidos por bancos e exchanges reguladas.
O anúncio oficial foi feito em comunicado da própria MoonPay, com Ivan Soto-Wright, CEO e fundador, descrevendo a divisão como o próximo estágio de uma rede que começou no varejo cripto.