- Arkham publica mapa on-chain das carteiras TRC-20 atribuídas ao Banco Central do Irã
- OFAC sancionou os endereços em abril por elos com IRGC-Qods e Hezbollah
- Tesouro dos EUA congelou US$ 344 milhões em cripto ligados a Teerã
A plataforma de análise on-chain Arkham divulgou um mapa público das carteiras de criptomoedas atribuídas ao Banco Central do Irã (Bank Markazi). O material organiza dois endereços TRC-20 já sancionados pelos Estados Unidos em uma página de entidade rastreável por qualquer investigador.
O movimento eleva a pressão sobre o uso de stablecoins por entidades ligadas a Teerã. Carteiras antes obscuras para o público agora aparecem catalogadas, com histórico de transações exposto em tempo real.
O que a Arkham publicou
A pesquisa, do dia 11 de maio, reúne os endereços em uma página de entidade dedicada ao banco central iraniano. A ferramenta funciona como ponto de partida para mapear contrapartes, fluxos e carteiras conectadas dentro da rede Tron.
Os dois endereços TRC-20 foram incluídos pela Office of Foreign Assets Control (OFAC), do Tesouro americano, na lista de Nacionais Especialmente Designados (SDN) em 24 de abril. A justificativa cita vínculos com a Força Qods do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e com o Hezbollah, segundo o comunicado oficial do Tesouro dos EUA.
Na mesma ação, autoridades americanas congelaram cerca de US$ 344 milhões em criptoativos atribuídos ao Irã. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, descreveu o objetivo como “degradar sistematicamente” a capacidade de Teerã de gerar, mover e repatriar recursos fora dos trilhos bancários tradicionais.
O papel da Tether e da Tron
A Tether, emissora do USDT, confirmou ter bloqueado os fundos a pedido das autoridades dos EUA. Em nota, a empresa citou “atividade ligada a conduta ilícita”, sem mencionar o Irã de forma explícita.
O caso se soma a um padrão maior. Segundo o BlockSec USDT Freeze Tracker, a Tether congelou mais de 500 milhões de USDT em um período recente de 30 dias, com cerca de 506 milhões apenas na rede Tron. A própria fundação Tron afirma que a blockchain não monitora transações individuais, mas atua via T3 Financial Crime Unit parceria com Tether e TRM Labs criada em 2024.
Em abril, a Chainalysis descreveu um “pipeline” em várias etapas no qual receitas iranianas de petróleo passavam por corretores, carteiras intermediárias, bridges entre redes e protocolos de DeFi antes de voltar a contas associadas ao Banco Central do Irã e a entidades ligadas ao IRGC.
A pegada cripto do Irã
Um relatório de fevereiro, baseado em estimativas da TRM Labs e da Chainalysis, calcula o volume total de transações em cripto no Irã em cerca de US$ 11,4 bilhões em 2024 e US$ 10 bilhões em 2025. A maior corretora do país, Nobitex, foi recentemente vinculada a familiares próximos do líder supremo Ali Khamenei.
Teerã também estudou cobrar pedágios denominados em cripto a navios que cruzam o Estreito de Ormuz. A ideia transforma ativos digitais em mais um canal de receita à margem do sistema bancário internacional, num momento de tensões militares crescentes algo que o BitNotícias já abordou ao tratar das opções militares contra o Irã.
O que muda para o investidor brasileiro
O recado aos usuários brasileiros de USDT é claro, Tron virou principal alvo operacional do enforcement americano recente. Exchanges brasileiras que processam stablecoins em TRC-20 dependem da Tether para validação, e qualquer endereço derivado de fluxo sancionado pode ser congelado em minutos.
O Banco Central finaliza regras para VASPs, inspiradas nos padrões internacionais de prevenção à lavagem financeira do GAFI. Casos como o do Bank Markazi tendem a acelerar exigências locais de triagem on-chain. Plataformas como Arkham, Chainalysis e TRM Labs reduzem custos regulatórios ao oferecer checagens públicas e monitoramento on-chain contínuo. Para o trader de varejo, fica o alerta, USDT recebido em P2P pode carregar histórico tóxico mesmo quando o saldo é pequeno.