Fed: 10% dos adultos dos EUA usaram ou tiveram cripto em 2025

  • Adoção de cripto entre adultos nos EUA sobe de 7% para 10% em 2025
  • Cerca de 7% dos americanos mantêm cripto como investimento, dado dominante
  • Uso para pagamentos segue abaixo de 2%, mesmo com avanço dos ETFs

A parcela de adultos nos Estados Unidos que usou ou manteve cripto em 2025 chegou a 10%, frente aos 7% registrados em 2024. O dado vem da edição mais recente da Survey of Household Economics and Decisionmaking (SHED), pesquisa anual do Federal Reserve com cerca de 13 mil entrevistados em outubro do ano passado.

É a maior fatia desde 2022, quando o setor atingiu o pico de 12% antes do colapso da FTX derrubar a confiança do varejo americano. O retorno a patamares de dois dígitos consolida uma reabilitação reputacional do mercado nos EUA e ocorre em paralelo ao avanço dos ETFs spot de Bitcoin e Ethereum, apontados pelo próprio Fed como vetor central da retomada.

ETFs trazem o varejo de volta

O Fed atribui boa parte do crescimento à entrada de famílias americanas via corretoras tradicionais e contas de aposentadoria, e não diretamente pelas exchanges. O caminho mais conhecido e regulado reduziu barreiras para quem antes evitava lidar com carteiras, chaves privadas ou plataformas como Binance e Coinbase.

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Esse efeito está alinhado ao fluxo recorde captado pelos produtos à vista no ciclo de 2024-2025, mesmo em fases de fraqueza nos volumes diretos das exchanges. Recentemente, porém, os ETFs também passaram a sentir reversões: o IBIT, da BlackRock, está no centro de uma semana de saídas relevantes que reduziu o ritmo de captação líquida no segmento.

Cerca de 7% dos adultos americanos disseram manter cripto como investimento, segundo a SHED. É a categoria dominante de uso. O número é consistente com pesquisa da Security.org de 2026, que estima que aproximadamente 30% dos americanos já tiveram cripto em algum momento, mas com base ativa bem menor — sinal de que muitos compram e esquecem na carteira.

Pagamentos seguem irrelevantes

Apesar do aumento de adoção, o uso de cripto em pagamentos cotidianos continua marginal. Um briefing do Fed de Kansas City com base nos mesmos dados mostra que a parcela de americanos que paga, transfere ou recebe valores via cripto está abaixo de 3% desde 2021 e caiu para menos de 2% entre 2023 e 2024. A queda foi puxada principalmente pelo desuso para envio de dinheiro a familiares e amigos.

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A leitura é direta: nos EUA, cripto é classe de ativo, não meio de pagamento. Em 2021-2022, 11% diziam usar para investir contra apenas 2% para pagamentos ou remessas — e essa proporção se manteve, mesmo com oscilações no total geral. O dado contrasta com o cenário brasileiro, onde stablecoins lastreadas em dólar têm penetração muito maior em remessas, e onde dados do Banco Central já apontaram a USDT como o cripto mais movimentado em valor por residentes.

Perfil do investidor americano

O recorte demográfico mostra que a participação se concentra em adultos com menos de 45 anos e em famílias com renda acima da mediana nacional. O padrão se repete desde que o Fed começou a investigar o tema, em 2021. Domicílios de baixa renda continuam sub-representados entre investidores ativos, mesmo controlando o efeito da idade.

O recorte ajuda a explicar por que ondas de adoção tendem a vir junto de altas de preço: o público mais jovem e com maior tolerância a risco entra rápido em ciclos de valorização e também sai rápido em quedas. O movimento atual ocorre em meio a forte volatilidade — o Bitcoin opera próximo de US$ 76,8 mil, e investidores americanos têm reagido a sinais conflitantes vindos do Fed, dos ETFs e da regulação.

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No radar institucional, o avanço da adoção via ETFs reforça o argumento de gestores tradicionais. Casas como a Goldman Sachs recompuseram exposição concentrando posições no IBIT, e a BlackRock movimentou recentemente mais de US$ 500 milhões em BTC e ETH via Coinbase Prime — uma operação típica de criação ou rebalanceamento de cotas. A íntegra da pesquisa pode ser consultada no site oficial do Federal Reserve.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.