- SpaceX declarou posição de 18.712 BTC avaliada em mais de US$ 1,4 bilhão
- Carteira coloca empresa de Musk entre as 10 maiores tesourarias corporativas em BTC
- Divulgação ocorre em meio a saques bilionários em ETFs e correção do preço
A SpaceX, empresa aeroespacial controlada por Elon Musk, divulgou nesta semana que mantém 18.712 bitcoins em seu balanço, posição avaliada em mais de US$ 1,4 bilhão aos preços atuais. A informação foi revelada em documento corporativo e replicada pelo perfil Watcher.Guru no X, encerrando anos de especulação sobre o tamanho real da tesouraria cripto da companhia.
O número surpreende pelo timing. Em 2022, reportagens do Wall Street Journal indicavam que Tesla e SpaceX haviam baixado parte de suas posições em BTC. Desde então, a SpaceX nunca confirmou publicamente quanto restava do estoque original — adquirido entre 2021 e 2022, quando Musk transformou o Bitcoin em tema recorrente em suas declarações.
Posição coloca SpaceX no topo corporativo
Com 18.712 BTC, a SpaceX entra no grupo das maiores tesourarias corporativas do mundo. Fica atrás de gigantes como Strategy (antiga MicroStrategy), Marathon Digital e Tesla, mas à frente de empresas listadas que vinham acumulando o ativo desde 2024. Considerando o preço médio de aquisição estimado entre US$ 30 mil e US$ 40 mil por unidade, a posição já carrega ganhos relevantes mesmo após a recente correção.
A ironia não passou despercebida no mercado. Enquanto Musk monetizou narrativas envolvendo Dogecoin nos últimos anos, foi o Bitcoin que permaneceu silenciosamente no balanço da SpaceX. Nenhuma venda foi reportada nos últimos 36 meses, segundo o documento divulgado. Isso indica disciplina de tesouraria — algo raro em empresas que tratam cripto como ativo de curto prazo.
Divulgação em meio a saques bilionários
O anúncio chega num momento delicado. O Bitcoin opera abaixo dos US$ 80 mil, após ceder mais de 25% desde a máxima histórica. Os ETFs de BTC perderam US$ 649 milhões em um único dia, com o IBIT da BlackRock liderando os saques. Em paralelo, aportes do varejo na Binance caíram 73% nas últimas três semanas.
Nesse cenário, ver uma empresa do porte da SpaceX confirmar que não tocou em sua posição funciona como contrapeso narrativo. Investidores institucionais costumam observar movimentos de tesourarias corporativas como sinal de convicção de longo prazo — o oposto do comportamento dos fundos negociados em bolsa, que reagem a fluxos diários de cotistas.
O que muda para o investidor brasileiro
Para quem opera no Brasil, a revelação tem leitura dupla. Pela cotação atual do dólar, os 18.712 BTC da SpaceX valem aproximadamente R$ 7,5 bilhões — mais do que o patrimônio líquido de várias gestoras brasileiras somadas. O dado reforça a tese de que tesourarias corporativas seguem sendo demanda estrutural, mesmo em ciclos de correção.
Há também a leitura regulatória. Empresas listadas nos Estados Unidos passaram a divulgar posições em cripto com mais detalhamento após mudanças contábeis aprovadas pelo FASB em 2024, que permitiram marcar o ativo a valor justo. Isso explica por que a SpaceX, ainda privada mas com investidores institucionais relevantes, optou por abrir o número agora. No Brasil, a CVM ainda discute padrões equivalentes para companhias abertas que mantenham cripto em balanço.
Outro ponto: a divulgação ocorre dias após o Bank of America revelar exposição bilionária a BTC, ETH, XRP e SOL. O padrão sugere que grandes balanços corporativos vêm tornando suas posições mais transparentes — movimento que pode antecipar uma fase em que o Bitcoin deixa de ser ativo periférico e passa a integrar relatórios financeiros tradicionais com status semelhante ao do ouro.
A SpaceX não comentou planos de aumentar ou reduzir a posição. Musk também não se manifestou diretamente sobre o número divulgado.