- Canaan reporta receita de US$ 62,7 mi no 1º tri de 2026, queda de 68% em três meses
- Mineradora acumula prejuízo líquido de US$ 88,7 mi após perda bruta de US$ 22,9 milhões
- Tesouraria da empresa soma 1.807 BTC e 3.951 ETH ao fim de março de 2026
A fabricante chinesa de máquinas de mineração Canaan Inc. divulgou resultados não auditados do primeiro trimestre de 2026 e expôs o tamanho do aperto que mineradoras de bitcoin enfrentam quando o preço do ativo recua. A receita ficou em US$ 62,7 milhões, dentro do guidance, mas bem abaixo dos US$ 196,3 milhões registrados no quarto trimestre de 2025.

Em base anual, a queda também é expressiva, a empresa havia faturado US$ 82,8 milhões no mesmo trimestre de 2025. Em três meses, portanto, o topo da linha encolheu cerca de 68%.
Do lucro ao prejuízo em um trimestre
O contraste com o trimestre imediatamente anterior é o dado mais duro do balanço. A Canaan saiu de um lucro bruto de US$ 14,6 milhões no quarto trimestre de 2025 para uma perda bruta de US$ 22,9 milhões no primeiro trimestre de 2026. O prejuízo líquido fechou em US$ 88,7 milhões, ligeiramente acima dos US$ 86,4 milhões reportados um ano antes.
O segmento de mineração própria gerou US$ 19,1 milhões em receita, contra US$ 30,4 milhões no trimestre anterior e US$ 24,3 milhões no mesmo período de 2025. A explicação é direta, o preço médio do bitcoin caiu durante o trimestre, derrubando o valor de cada BTC produzido pela companhia.
Ainda assim, a operação cresceu em volume. A capacidade de processamento subiu 10,7% na comparação trimestral, alcançando cerca de 11 EH/s distribuídos por dez projetos de mineração conjunta. Foram 257 bitcoins minerados no período, elevando a tesouraria da empresa para 1.807,60 BTC e 3.951,53 ETH ao fim de março.
Contexto de mercado e pressão sobre mineradoras
O trimestre coincidiu com a contração da capitalização global do mercado cripto, que recuou de US$ 2,96 trilhões para US$ 2,30 trilhões. O Índice de Medo e Ganância oscilou entre as zonas de “medo” e “medo extremo”, com raras incursões ao território neutro. Dados da CryptoQuant mostram recuperação marginal da receita diária dos mineradores, de US$ 1,8 milhão para US$ 1,805 milhão.
O quadro ajuda a explicar por que a ação da Canaan derreteu na bolsa após o anúncio, conforme já antecipou o tombo de 13% na ação. Quando o BTC perde valor, a equação ASIC + energia + dívida deixa pouco espaço para manobra e mineradoras de capital aberto sofrem dupla pressão: operacional e de preço da própria ação.
O que isso significa para o investidor brasileiro
O balanço da Canaan funciona como termômetro para o setor de mineração como um todo, incluindo operações relevantes no Paraguai e em regiões do Brasil que importam equipamentos da própria companhia. Quando hashrate sobe e preço cai, mineradores menores desligam máquinas, movimento que historicamente antecede capitulações mais amplas. Reportagem recente do BitNotícias já apontava que a receita do setor caiu 9,44% após salto na dificuldade, reforçando o estresse na cadeia.
Há outro lado da moeda. A própria Canaan vem diversificando receitas, além da venda de máquinas, opera projetos como o de aquecimento residencial nórdico com calor de mineração, e mantém tesouraria em BTC e ETH. Esse colchão pode amortecer trimestres ruins, mas também amplifica perdas contábeis quando os ativos caem.
Para o investidor que acompanha o ciclo do bitcoin, o recado é prático, relatórios trimestrais de mineradoras listadas, Canaan, Marathon, Riot, CleanSpark costumam mostrar antes da curva quando o custo de produção começa a se aproximar perigosamente do preço de mercado. Os números divulgados nesta semana, conforme o relatório oficial da Canaan, indicam que esse limite voltou a ser testado.