- Dragonfly fechou fundo de US$ 650 milhões em fevereiro de 2026, acima da meta inicial
- Capital será aplicado em DeFi, stablecoins, mercados de previsão e ativos tokenizados
- Portfólio inclui Polymarket, Rain e Ethena, com tese de infraestrutura financeira on-chain
A Dragonfly Capital fechou seu quarto fundo em US$ 650 milhões, valor que supera com folga a meta original de US$ 500 milhões. O encerramento aconteceu em 17 de fevereiro de 2026, num momento em que a maior parte do venture capital cripto enfrenta dificuldade até para retomar conversas com alocadores institucionais.
O destino do dinheiro foi explicitado pela gestora, finanças descentralizadas, stablecoins, mercados de previsão, pagamentos on-chain e ativos do mundo real tokenizados (RWAs). A tese central abandona qualquer flerte com narrativas especulativas e aposta no encontro entre blockchain e a engrenagem do sistema financeiro tradicional.
Onde o dinheiro já foi aplicado
Parte do capital do Fund IV já está em campo. A Polymarket, plataforma de mercados de previsão que ganhou tração nas eleições americanas de 2024, aparece entre os investimentos de destaque. A Rain, focada em pagamentos, também recebeu aporte. No portfólio mais amplo da gestora figura ainda a Ethena, protocolo do dólar sintético USDe.
Essas apostas compartilham um eixo comum, usar trilhos cripto em serviços financeiros já consumidos por pessoas físicas e instituições. Pouca poesia, muita liquidação financeira.
A Polymarket, aliás, virou caso emblemático para a tese. A Commodity Futures Trading Commission (CFTC) chegou a processar estados para garantir mercados de previsão, sinal de que o segmento entrou no radar regulatório americano de forma irreversível.
Captação em meio ao inverno do VC cripto
O tamanho do fundo chama atenção pelo contraste com o cenário. O venture capital cripto encolheu de forma significativa em relação ao pico de 2021-2022. Diversas casas reduziram quadro, outras simplesmente engavetaram planos de captação. Levantar nove dígitos hoje exige histórico de retorno e tese defensável diante de LPs cada vez mais céticos.
A Dragonfly tem feito isso de forma cíclica. O Fund I, de cerca de US$ 100 milhões, foi montado em 2018, durante um dos invernos mais duros do setor. O Fund II saiu em 2021 com aproximadamente US$ 225 milhões. Fund III bateu os mesmos US$ 650 milhões do atual ou seja, a gestora manteve seu teto histórico em vez de recuar, algo raro no atual ambiente.
A liderança da firma segue concentrada nos managing partners Haseeb Qureshi, Rob Hadick e Tom Schmidt, ao lado do fundador Bo Feng. Detalhes do anúncio constam em comunicação oficial da Dragonfly.
O que isso sinaliza para o investidor brasileiro
Quem opera no Brasil identifica uma migração de capital institucional para o chamado “cripto utilitário”. Stablecoins respondem hoje pelo grosso do volume nas exchanges nacionais o real digital e o regime de stablecoins discutidos pelo Banco Central caminham na mesma direção da tese de Dragonfly, ainda que com timing mais lento.
O foco em pagamentos on-chain também conversa com a infraestrutura que players locais tentam construir sobre Pix e dólar tokenizado. Não por acaso, a disputa entre bancos e protocolos pelas stablecoins escalou nos últimos meses, com instituições tradicionais entrando direto no segmento.
O ambiente regulatório brasileiro ainda traz incertezas para mercados de previsão, bets esportivas ganharam regulamentação, mas plataformas sobre eventos políticos ou macroeconômicos seguem sem enquadramento claro da CVM. Já a tokenização de RWAs avança em ritmo mais consistente, com sandbox do Banco Central e operações piloto de Tesouro Direto tokenizado.
Outro recado embutido na captação envolve a disputa entre emissores de stablecoins, Dragonfly aposta que protocolos sintéticos como Ethena podem capturar fatia relevante de um mercado hoje dominado por USDT e USDC. O fundo trabalhará com horizonte de sete a dez anos para colher resultados e testar a tese em ciclos completos de juros americanos.