- Metaplanet criou conselho estratégico e indicou Eric Trump como primeiro membro
- Empresa japonesa já acumula 40.177 BTC e é a 3ª maior tesouraria listada
- Ação da companhia disparou 17% no dia do anúncio em Tóquio
A japonesa Metaplanet, listada na Bolsa de Tóquio, oficializou a entrada de Eric Trump em seu recém-criado Conselho Estratégico de Consultores. O nome do filho do presidente norte-americano foi anunciado como o primeiro integrante do colegiado em 21 de março de 2025, segundo comunicado da própria companhia. A escolha conecta a expansão cripto da família Trump à estratégia de uma das tesourarias corporativas de Bitcoin mais agressivas da Ásia.
Na data do anúncio, a empresa mantinha cerca de 3.200 BTC em caixa. As ações reagiram com salto de aproximadamente 17% em um único pregão, refletindo a leitura do mercado japonês de que o nome Trump funcionaria como acelerador da política de acúmulo.
Do mercado imobiliário ao Bitcoin
O CEO Simon Gerovich justificou a nomeação citando a experiência de Eric Trump em imóveis, finanças e construção de marca. Pouco depois da entrada no conselho, a Metaplanet executou nova compra: 150 BTC por cerca de US$ 12,6 milhões, mantendo a cadência de aquisições mensais que se tornou marca da gestão.
O ritmo se intensificou nos meses seguintes. No início de abril de 2026, o caixa em Bitcoin chegou a 40.177 BTC, posição que coloca a companhia entre as três maiores detentoras corporativas do ativo no mundo. O preço médio de aquisição declarado pela empresa fica em uma faixa entre US$ 97 mil e US$ 104 mil por BTC — patamar que deixa a tesouraria com margem apertada caso a cotação à vista volte a perder o suporte dos US$ 90 mil.
O manual Saylor, em velocidade asiática
Eric Trump estava na agenda da assembleia extraordinária marcada para 1º de setembro de 2025 em Tóquio. A pauta tratava de propostas de captação desenhadas especificamente para bancar novas compras de Bitcoin. O modelo replica o que Michael Saylor consolidou na Strategy (ex-MicroStrategy): emitir dívida ou ações, comprar BTC, repetir o ciclo. No primeiro trimestre de 2026, a Metaplanet executou uma única ordem de 5.075 BTC, com valor estimado entre US$ 398 milhões e US$ 405 milhões.
A diferença está na velocidade. Enquanto a empresa de Saylor levou mais de quatro anos para ultrapassar a marca de 40 mil BTC, a japonesa cruzou o mesmo patamar em pouco mais de um ano e meio desde o início da estratégia. O contraste explica por que analistas asiáticos passaram a chamar a Metaplanet de “Strategy do Pacífico” — apelido que ganhou tração depois que a própria Strategy reforçou sua tese de longuíssimo prazo.
Leitura para o investidor brasileiro
O movimento da Metaplanet importa para o Brasil por dois motivos. O primeiro é regulatório: a CVM ainda não permite que empresas listadas na B3 mantenham Bitcoin como ativo de tesouraria com a mesma liberdade fiscal observada no Japão, onde mudanças tributárias recentes desoneraram ganhos não realizados em cripto de companhias abertas. O segundo é técnico. A concentração de BTC em poucas tesourarias corporativas — Strategy, Metaplanet e Trump Media, entre outras — reduz o float disponível em exchanges e tende a amplificar movimentos de preço em ciclos de baixa liquidez.
Há ainda o componente político. A aproximação de membros da família Trump com veículos cripto listados — fenômeno que já aparece em iniciativas como a World Liberty Financial — cria um eixo entre Washington, Tóquio e o mercado de capitais asiático que não existia no ciclo anterior. Para fundos brasileiros que operam exposição indireta a Bitcoin via ações americanas ou japonesas, a estrutura societária da Metaplanet passa a competir diretamente com BITs como instrumento de proxy.
O próximo teste virá nos relatórios trimestrais. Se a faixa de preço médio de aquisição se mantiver entre US$ 97 mil e US$ 104 mil, qualquer reprecificação do Bitcoin abaixo desse intervalo obrigará a companhia a registrar perdas contábeis relevantes — exatamente o tipo de evento que historicamente força tesourarias alavancadas a pausar compras.