Trump Media envia US$ 204 milhões em Bitcoin para Crypto.com

  • Trump Media transferiu 2.650 BTC à Crypto.com, equivalentes a US$ 204 milhões
  • Empresa fechou Q1 2026 com prejuízo de US$ 406 milhões puxado por ativos digitais
  • Ações da DJT acumulam queda de 70% em relação à máxima de US$ 27

Endereços atribuídos pela Arkham ao Trump Media & Technology Group movimentaram 2.650 BTC, cerca de US$ 204 milhões, para carteiras rotuladas como pertencentes à Crypto.com na noite de quinta-feira. Foram duas transferências em sequência, por volta das 21h no horário de Brasília, sem comunicado oficial da companhia controlada pelo presidente Donald Trump.

Movimentações desse porte rumo a exchanges centralizadas costumam preceder vendas, embora não exista confirmação de que esse seja o destino dos recursos. A própria empresa não respondeu a pedidos de esclarecimento da imprensa até o fechamento desta edição.

O tamanho do rombo

O contexto financeiro ajuda a explicar a desova. A Trump Media reportou prejuízo líquido de quase US$ 406 milhões no primeiro trimestre de 2026, resultado atribuído principalmente a perdas não realizadas em ativos digitais, BTC dado em garantia e ações detidas em tesouraria. O balanço total da firma gira em torno de US$ 2,1 bilhões.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

A montagem da posição em Bitcoin começou em julho de 2025, quando a companhia anunciou compras de aproximadamente US$ 2 bilhões em BTC e títulos vinculados ao ativo. À época, o discurso oficial citava proteção contra o que chamou de “discriminação por parte de instituições financeiras”. O preço médio de entrada, contudo, ficou bem acima dos níveis atuais: na ocasião do anúncio, o Bitcoin era negociado perto de US$ 119.000.

Hoje, o cenário é outro. O ativo opera ao redor de US$ 76.657, com recuo de 0,38% nas últimas 24 horas e 3,3% na semana. Mesmo após a transferência, os endereços ligados à Trump Media ainda detêm cerca de US$ 533 milhões em BTC, segundo o painel da Arkham. Em janeiro, a empresa já havia enviado um valor simbólico pouco mais de 3 BTC, ou US$ 245 mil para a mesma exchange.

Ações da DJT sob pressão

O movimento no mercado spot encontra eco no pregão. Os papéis da DJT subiam cerca de 1% na abertura de sexta-feira, cotados a US$ 8,02. Pouco para reverter o estrago, a ação acumula queda superior a 39% no ano e está 70% abaixo do topo de 52 semanas em US$ 27,00.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Dias antes da transferência, a empresa também arquivou os planos para ETFs de Bitcoin e de uma cesta híbrida BTC/ETH. A retirada dos pedidos junto à SEC sinalizou recuo na estratégia cripto que vinha sendo construída em paralelo à operação do Truth Social.

Leitura para o investidor brasileiro

O episódio se soma a um padrão recente entre tesourarias corporativas que apostaram alto em Bitcoin perto das máximas históricas. A Canaan reportou prejuízo trimestral ligado à desvalorização do ativo, e a Nakamoto anunciou grupamento de ações após desabar 99%. O denominador comum: compras agressivas em ciclo de alta seguidas por marcação a mercado dolorosa quando o preço cede.

Para o investidor brasileiro exposto a ações americanas via BDRs ou corretoras internacionais, o ponto de atenção é duplo. Primeiro, papéis de empresas com tesouraria concentrada em BTC tendem a operar com beta superior ao do próprio ativo caem mais quando o mercado vira. Segundo, a saída de moedas para exchanges costuma adicionar pressão vendedora justamente em momentos de demanda spot fraca, como o atual. Dados recentes mostram que investidores nos EUA descarregaram US$ 1,34 bilhão em BTC em quatro pregões.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

A liquidação parcial pela Trump Media, se confirmada, entra em uma janela em que o livro de ordens já carrega oferta excedente. Resta saber se os 2.650 BTC representam uma desova pontual para reforço de caixa ou o início de uma redução estrutural da exposição da companhia ao ativo.

X
Siga o BitNotícias no X para notícias em tempo real
Compartilhe este artigo
Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.