- Japão tem 4ª maior economia global e fundos de pensão com US$ 3 trilhões sob gestão
- SBI Holdings mira ¥5 trilhões em produtos cripto e já protocolou pedido na FSA
- XRP entra no top 3 do mercado japonês ao lado de Bitcoin e Ethereum
O avanço regulatório no Japão recolocou o xrp no radar de gestoras institucionais asiáticas. Com a quarta maior economia do planeta e um sistema financeiro reconhecido pelo conservadorismo, o país caminha para autorizar ETFs à vista de criptoativos — e o token da Ripple está entre os três ativos mais negociados pelos investidores locais.
Segundo análise da plataforma RippleXity, publicada em post no X, a eventual aprovação de um produto listado no Japão tende a destravar fluxos relevantes de fundos de pensão, seguradoras e family offices. O PIB japonês soma US$ 4,4 trilhões, e decisões de Tóquio costumam servir de referência para reguladores em Hong Kong, Cingapura e Coreia do Sul.
Reforma regulatória abre caminho
Em 10 de abril de 2026, o gabinete japonês aprovou emendas ao Financial Instruments and Exchange Act. A mudança reclassifica 105 criptoativos — entre eles XRP, Bitcoin e Ethereum — como instrumentos financeiros, e não mais como meios de pagamento. O efeito prático é a aplicação de regras de divulgação, restrições a insider trading e punições equivalentes às do mercado tradicional.
A vigência está prevista para o ano fiscal de 2027. Já a Financial Services Agency (FSA) trabalha para incluir criptoativos sob o Investment Trust Act, etapa final para liberar ETFs à vista. As projeções oficiais apontam aprovações a partir de 2028, mas parte do mercado aposta em lançamentos antecipados em 2027.
A reforma japonesa contrasta com o ritmo brasileiro. A CVM autorizou ETFs de Bitcoin e Ethereum desde 2021 na B3, mas ainda não há produto listado de XRP no país — apesar de o token figurar no topo dos volumes negociados em corretoras como Mercado Bitcoin e Foxbit. Se Tóquio sair na frente, a pressão por listagens locais tende a aumentar, especialmente após decisões recentes da SEC sobre derivativos de Bitcoin.
SBI Holdings lidera a ofensiva
A SBI Holdings é o nome central dessa engrenagem. O grupo distribui XRP a clientes desde 2019 e chegou a emitir um programa de bonds de ¥10 bilhões com remuneração paga no próprio token. A SBI Ripple Asia, braço da empresa, opera plataforma licenciada de emissão de tokens sobre o XRP Ledger sob o Payment Services Act.
Em agosto de 2025, a SBI protocolou pedido na FSA para listar na Bolsa de Tóquio um produto com exposição direta a Bitcoin e XRP. A meta declarada é alcançar ¥5 trilhões — cerca de US$ 32 bilhões — em ativos sob gestão nos três primeiros anos após o lançamento. O valor isolado supera o patrimônio total dos ETFs cripto listados em várias jurisdições europeias.
Fundos de pensão no centro do cálculo
O argumento sobre demanda institucional gira em torno dos fundos de pensão japoneses, que administram mais de US$ 3 trilhões. As regras atuais impedem que esses gestores comprem criptoativos diretamente. Um ETF regulado funciona como ponte: oferece exposição ao ativo sem custódia direta, atendendo aos requisitos fiduciários.
Plataformas como Rakuten Wallet, Mitsubishi UFJ e SBI Securities somam mais de 100 milhões de clientes ativos. Caso o produto seja aprovado, a distribuição capilar reduz fricção de acesso para o investidor de varejo qualificado e para tesourarias corporativas.
Um relatório recente da Bitget apontou que Bitcoin, Ethereum e XRP concentram mais de 75% do volume negociado em exchanges licenciadas no Japão. O dado ajuda a explicar por que XRP foi incluído no escopo da reforma — diferente do que ocorreu em pedidos protocolados nos EUA, onde o ativo enfrentou anos de batalha jurídica. A leitura on-chain reforça o quadro: dados recentes mostram queda na atividade de baleias do XRP, padrão típico de fases de acumulação que antecedem catalisadores institucionais.
O mercado de ativos do mundo real tokenizados no Japão também entra na conta. A expectativa é que o segmento salte de US$ 2,8 bilhões para US$ 7 bilhões até o fim de 2026, ampliando a base de demanda por infraestrutura blockchain regulada — terreno onde a Ripple já opera com a stablecoin RLUSD no XRPL.