Bitcoin perde meio do bear flag e mira fundo perto de US$ 74 mil

  • Bitcoin perde ponto médio do bear flag após terceira rejeição no canal
  • Suportes horizontais entre US$ 76 mil e US$ 74 mil entram no radar dos traders
  • Médias móveis de 50 e 200 dias se aproximam e reforçam pressão vendedora

O bitcoin voltou a frustrar quem apostava em recuperação rápida. A leitura do gráfico de 4 horas mostra que o preço perdeu o ponto médio da bandeira de baixa em que opera há semanas, e o próximo destino técnico aponta para a parte inferior dessa formação, em uma faixa que coincide com suportes horizontais entre US$ 76 mil e US$ 74 mil.

Além disso, a perda desse meio do canal não foi acidente. O ativo já havia rompido um pequeno canal descendente menor dentro da estrutura maior, e desde então acumula três rejeições consecutivas na linha de tendência inferior desse canal. Cada toque produziu um topo mais baixo. Padrão clássico de exaustão compradora.

O que diz o gráfico

Bitcoin queda (3)

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A terceira rejeição empurrou a cotação para baixo do midpoint do bear flag. Em análise técnica, esse marco costuma funcionar como divisor de águas: acima dele, o mercado ainda tem chance de buscar o topo da bandeira; abaixo, a tendência natural é procurar o piso.

Outro sinal preocupa os operadores. O BTC opera próximo da média móvel de 50 dias, que sobe lentamente em direção à média de 200 dias. Quando essas duas linhas se aproximam em meio a um movimento de queda, o cruzamento costuma anteceder novas pernas de baixa. Foi exatamente o que aconteceu na bandeira de baixa anterior, pouco antes do colapso de preço.

O Índice de Força Relativa (RSI) reforça o diagnóstico. Assim, a linha do indicador saiu do canal ascendente em que vinha operando e foi rejeitada pela média móvel baseada no próprio RSI. No tempo gráfico semanal, o Stochastic RSI ameaça perder a marca de 80, área a partir da qual as linhas tendem a buscar o piso de 0.

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Contexto para o investidor brasileiro

Para quem opera no Brasil, o detalhe relevante é o gatilho de margem. A faixa entre US$ 76 mil e US$ 74 mil concentra liquidações expressivas em perpétuos negociados em corretoras locais e internacionais. Em sessões recentes, a perda de US$ 75 mil derrubou mais de US$ 917 milhões em posições em poucas horas, com efeito cascata sobre altcoins listadas em exchanges brasileiras.

Além disso, outro ponto que pesa no curto prazo é o fluxo de fundos. Os ETFs spot americanos vêm registrando saídas relevantes, com a própria BlackRock entregando cerca de US$ 1 bilhão em BTC em uma única semana. Quando o capital institucional drena, o mercado fica refém de fluxo retail — historicamente mais sensível a movimentos técnicos como o que se desenha agora.

O que pode segurar a queda

Assim, existem três variáveis capazes de interromper a degradação técnica. A primeira é uma defesa firme da faixa de US$ 76 mil, com volume crescente e candles de reversão no tempo gráfico diário. Sem isso, o teste do piso do bear flag vira questão de tempo.

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A segunda envolve o macro. Dados de inflação nos Estados Unidos e sinalização do Fed sobre a curva de juros pesam diretamente no apetite por risco. Uma surpresa dovish poderia destravar entradas em ETFs e mudar a leitura técnica em poucos pregões.

Além disso, a terceira variável é on-chain. O comportamento das baleias da era Satoshi tem oscilado: movimentações recentes para mesas OTC sugerem distribuição, não acumulação. Enquanto esse fluxo seguir negativo, a probabilidade de uma reversão em V diminui.

A vela vermelha que sucedeu o fakeout no topo da bandeira foi um padrão de engolfo de baixa. O mesmo desenho apareceu antes do colapso da bandeira anterior. Daqui, o foco dos operadores deve estar nos volumes em cada toque dos suportes horizontais. Assim, se US$ 74 mil ceder, o cenário técnico abre espaço para projeções mais conservadoras, com analistas como Michaël van de Poppe já mapeando US$ 60 mil como zona de reentrada relevante em 2026. Dados públicos podem ser acompanhados em tempo real pelo gráfico do par BTC/USD na TradingView.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.