- Bitcoin rompeu zona crítica de suporte entre US$ 75 mil e US$ 76 mil
- Polymarket precifica 51% de chance de BTC tocar US$ 55 mil em 2026
- Holders de longo prazo somam 71% do supply e travam queda extrema
O bitcoin pode buscar a região de US$ 60 mil nos próximos meses depois de perder uma faixa de suporte considerada decisiva pelos analistas técnicos. A leitura veio do trader Michaël van de Poppe, que acompanhou a quebra da zona entre US$ 75 mil e US$ 76 mil durante o pregão de sexta-feira.
Van de Poppe lembrou que correções desencadeadas às sextas costumam ser revertidas no início da semana seguinte. Mas o aviso veio com ressalva. Sem um retorno consistente acima de US$ 76.600, a tese de novas máximas perde força e o ativo tende a permanecer preso em uma faixa lateral mais baixa.
O analista também chamou atenção para os gaps de futuros da CME espalhados acima do preço à vista, sendo o mais alto na casa dos US$ 79 mil. Esses vazios costumam funcionar como ímã técnico, mas, por ora, o fluxo institucional não tem fornecido combustível suficiente para empurrar a cotação até lá.
O que o mercado de apostas diz
A leitura técnica encontra eco em mercados de previsão. No Polymarket, as odds de o bitcoin tocar US$ 55 mil em 2026 estavam em 51% no momento da análise. A probabilidade de uma descida ainda mais agressiva, até US$ 45 mil, aparecia em 31%. São números que destoam do otimismo dominante até meados deste ano e refletem o sétimo mês consecutivo de mercado urso na maior criptomoeda.
Há, porém, um contrapeso relevante no on-chain. Dados de carteiras indicam que 71% do supply em circulação está nas mãos de holders de longo prazo, perfil que historicamente resiste a vender em quedas. Isso reduz a chance estatística de uma ruptura prolongada abaixo de US$ 60 mil, ainda que não elimine pavios de liquidez no curto prazo.
O pano de fundo macro também aperta. A nomeação de Kevin Warsh para o comando do Federal Reserve trouxe incerteza sobre o ritmo de cortes de juros, justamente quando o mercado precificava um afrouxamento mais agressivo. Sinais recentes do Fed reforçaram a leitura de que o ciclo de liquidez global pode demorar mais a virar.
Divergência entre analistas
Nem todo mundo enxerga o cenário como bear. O analista Matthew Hyland destaca que o bitcoin acumula cerca de 90 dias de tendência ascendente desde a mínima de US$ 60 mil registrada em fevereiro. Segundo ele, nenhum mercado urso registrou rali de 89 dias, enquanto resistências semanais anteciparam altas históricas do Bitcoin.
O contraponto técnico vem das médias móveis. O BTC negocia abaixo das EMAs de 50, 200 e 365 dias, enfraquecendo suportes dinâmicos dos ciclos saudáveis. Para parte dos analistas, isso aponta para meses de consolidação antes de qualquer novo impulso direcional.
Impacto para o investidor brasileiro
Para quem opera em real, a perda do suporte tem efeito amplificado. Com o dólar próximo de R$ 5,40, uma queda do bitcoin até US$ 60 mil levaria o ativo para perto de R$ 324 mil nas exchanges locais patamar que não é visto desde o primeiro semestre de 2024. Esse cenário pressiona ETFs nacionais, como QBTC11 e BITH11, reduzindo liquidez nas plataformas brasileiras no fim do ano.
Há ainda um efeito de segunda ordem sobre os ETFs spot listados nos EUA, que vinham registrando saídas líquidas. Caso o suporte em US$ 75 mil não seja recuperado rapidamente, o cenário-base de analistas técnicos passa a ser uma extensão da correção em vez de retomada imediata. A confirmação virá pelo comportamento do preço diante das EMAs de longo prazo e pelos próximos dados de inflação americana.