XRP: saída de 25 mi de tokens das corretoras reacende alta

  • Saída líquida de 25,24 milhões de XRP supera maior entrada do ano em corretoras
  • ETFs de XRP acumulam US$ 131,94 milhões em entradas líquidas no mês
  • Analistas miram US$ 1,34 como zona de defesa para tentar retomar US$ 1,40

O XRP opera próximo de US$ 1,34 (cerca de R$ 6,77) neste sábado, 31, em uma sessão de baixa volatilidade que mantém o ativo travado entre US$ 1,33 e US$ 1,35. A pressão vendedora arrefeceu após um movimento incomum entre depósitos e saques em corretoras, que pode indicar fim de capitulação no curto prazo.

Dados da Santiment apontam que a quinta-feira, 30, registrou a maior entrada de XRP em exchanges em 2026, com 22,80 milhões de tokens transferidos para plataformas de negociação. Movimentos desse porte costumam antecipar pressão de venda — mas o fluxo se inverteu em poucas horas.

Logo após o pico, 25,24 milhões de XRP deixaram as corretoras, resultando em saída líquida superior à entrada original. O comportamento sugere que parte dos holders desistiu de vender e retirou os tokens de volta para carteiras privadas, reduzindo a oferta imediata no mercado spot.

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Capitulação no varejo e suporte técnico

A Santiment classificou o evento como típico de fundo local. A venda no varejo atingiu o menor nível em 15 semanas, e o XRP subiu cerca de 5% a partir do ponto de capitulação. Em outras palavras: quem vendeu no susto entregou tokens a quem comprou na queda.

O analista Ali Martinez monitora o piso do canal de alta em US$ 1,34 como zona potencial de compra. Se o nível resistir, os próximos alvos ficam em US$ 1,37 e US$ 1,40. Um rompimento limpo abaixo desse suporte, porém, abriria espaço para revisitar mínimas — cenário já mapeado por traders que enxergam um padrão de bear pennant e projeção bem mais baixa para o token.

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No acumulado, o cenário ainda é negativo. O XRP recua 2,06% na semana, 3,13% no mês e perde 37,47% em 12 meses. A queda passa de 44% nos últimos 200 dias. Mesmo assim, o ativo mantém a quinta posição em capitalização entre as criptomoedas, com valor de mercado próximo de US$ 82,7 bilhões.

ETFs de XRP mantêm fluxo positivo

Enquanto o preço patina, o lado institucional dá sinais opostos. Os ETFs de XRP acumulam US$ 131,94 milhões em entradas líquidas no mês, contrariando o desempenho fraco do spot. Bitcoin e Ethereum, no mesmo período, registraram saídas relevantes em seus produtos regulados.

A composição do interesse institucional ficou mais visível com o último filing trimestral do Morgan Stanley, que reportou posições em dois produtos vinculados ao XRP: 1.700 cotas do Volatility Shares XRP ETF e 100 cotas do Grayscale XRP ETF. Os volumes são pequenos perto do portfólio total do banco, mas marcam exposição via veículo regulado.

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Para o investidor brasileiro, o ponto relevante é estrutural: a aprovação do CLARITY Act nos Estados Unidos reduziu o risco regulatório que historicamente penalizou o XRP frente a BTC e ETH. A categorização do token como commodity destravou produtos que hoje canalizam capital institucional, mesmo quando o spot sofre. Esse fluxo, no entanto, ainda não foi suficiente para romper resistências importantes — algo semelhante ao que se viu no período de consolidação entre US$ 1,34 e US$ 1,41.

Narrativa XRPFi ganha tração

Para além do preço, a tese fundamentalista do XRP começa a se diversificar. A RippleX detalhou recentemente como o token pode ser usado como colateral em estratégias de rendimento, incluindo a versão wrappada (FXRP) na rede Flare, empréstimos de stablecoins contra essa garantia e alocação em vaults no XRPL.

O movimento aproxima o XRP do universo DeFi, antes restrito a Ethereum e cadeias compatíveis. Ainda há riscos relevantes — contratos inteligentes, liquidez fragmentada e dependência de pontes. Mas, no agregado, transforma tokens parados em capital produtivo, algo que pode ampliar a demanda estrutural pelo ativo.

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No curto prazo, três níveis definem o jogo: US$ 1,34 como linha de defesa, US$ 1,37 como primeiro alvo de recuperação e US$ 1,40 como teste decisivo para os compradores. Se o saldo de saídas em exchanges seguir negativo e os ETFs mantiverem captação, o cenário ganha tração para um rebote técnico.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.