- Bitmine adquire 26.497 ETH na semana, totalizando US$ 52 milhões em nova compra
- Tesouraria da empresa atinge 5,4 milhões de ETH, perto de 5% do supply circulante
- Tom Lee afirma que preço do Ethereum não reflete fundamentos da rede
A Bitmine Immersion Technologies voltou a engrossar sua reserva de ethereum com uma compra de US$ 52 milhões. A operação envolveu 26.497 ETH adquiridos ao longo da última semana, segundo comunicado assinado por Tom Lee, presidente do conselho da companhia.
Com a nova rodada, a empresa consolida o posto de maior tesouraria corporativa de ETH do mundo. O estoque chegou a 5,4 milhões de tokens, avaliados em pouco mais de US$ 10,5 bilhões. A meta declarada em julho de 2025 era controlar 5% do supply circulante do Ethereum, hoje em torno de 120,6 milhões de moedas.
O ritmo de compra havia desacelerado nas últimas semanas. Antes dessa pausa parcial, a Bitmine vinha somando mais de 100 mil ETH por semana durante três rodadas consecutivas. Lee projeta que o objetivo final será alcançado em algum momento de 2026.
A leitura de Tom Lee sobre o preço
O executivo é direto ao avaliar o atual patamar do ativo. Para ele, a cotação do ETH não traduz a evolução técnica e de adoção da rede.
“Em nossa visão, os preços do ETH não refletem o fortalecimento dos fundamentos do Ethereum, mas isso não surpreende dado que estamos nos estágios iniciais da primavera cripto”, afirmou em entrevista à CNBC nesta segunda-feira.
Os números do mercado ajudam a contextualizar o desconforto. O ETH recua 4,7% em sete dias e oscilou entre US$ 1.963 e US$ 2.126 no período. Nesta terça-feira, o ativo é negociado próximo de US$ 1.975, ou cerca de R$ 9.922 na cotação brasileira. A perda do piso psicológico de US$ 2 mil acendeu alerta entre traders e fundos alavancados.
Lee atribui parte da frustração à comparação com outros setores. Enquanto ações de software e empresas ligadas à inteligência artificial sobem, o segmento cripto patina. “Isso sempre acontece no fim do inverno cripto”, argumentou. O executivo manteve a tese de que bitcoin e ethereum tendem a se firmar como o futuro do dinheiro, mesmo diante da venda recente de grandes holders antigos.
Tese de tokenização e identidade digital
O argumento de Lee se ancora em dois vetores. O primeiro é a tokenização de ativos por Wall Street, movimento que já tem nomes como BlackRock, JPMorgan e Franklin Templeton em fase operacional. O segundo é a necessidade de identidade e verificação descentralizada para sistemas de inteligência artificial autônomos.
“Sabemos que Wall Street quer ir em direção à tokenização. É uma melhora vasta na eficiência de como o dinheiro se movimenta”, afirmou. “Isso só acontece em Bitcoin, Ethereum e outros smart contracts.”
O que isso significa para o investidor brasileiro
O Brasil acompanha esse movimento com lupa. A nova regulamentação do Banco Central, que cria a categoria de VASPs e exige auditoria independente, deve facilitar a chegada de produtos de tesouraria semelhantes ao da Bitmine via fundos locais. Hoje, gestoras como Hashdex e QR Asset já oferecem exposição a ETH, mas sem o componente de acumulação corporativa agressiva visto nos EUA.
A pressão vendedora também se mantém no radar. Dados recentes mostraram baleias acumulando ETH em ritmo recorde, contraponto à narrativa de exaustão. Já no bitcoin, a paridade gira em torno de US$ 69.432, com queda de 4,6% em 24 horas, sinal de que o estresse macro afeta o complexo cripto como um todo.
A Bitmine ainda está a cerca de 10% da meta de 6 milhões de ETH. No ritmo atual, ajustado para janelas de pausa, o cronograma para 2026 segue plausível. O mercado observará se a próxima leva de compras virá com o ETH ainda abaixo dos US$ 2 mil ou se Lee aguardará uma reação técnica para retomar volumes semanais de seis dígitos.