- Bitcoin acumula queda de 22% no mês e perdeu o suporte de US$ 66 mil
- Linha de tendência descendente em US$ 71.495 separa baixa de reversão
- Topo de maio em US$ 82.800 volta ao radar caso rompimento se confirme
O bitcoin chega ao início de junho operando dentro de uma estrutura técnica que ainda favorece vendedores. No entanto, há um roteiro claro para reverter o quadro caso consiga romper resistências específicas no gráfico de 4 horas. A maior criptomoeda do mundo recua mais de 22% no último mês e perdeu níveis de suporte que vinham sendo defendidos desde o primeiro trimestre.
No momento desta publicação, o ativo é negociado a US$ 61.051, ou cerca de R$ 312.696, com queda adicional de 4,9% nas últimas 24 horas. O movimento arrastou o ecossistema: Ethereum cai 8,7%, Solana recua 7,7% e Cardano lidera as perdas entre os principais ativos, com tombo de 15%.
Estrutura de 4 horas mostra controle vendedor

A leitura técnica do gráfico de 4 horas descreve uma sequência de topos e fundos descendentes formada desde o pico de US$ 82.800 registrado em maio. A rejeição naquele nível empurrou o preço para baixo do chamado weak low em US$ 66.000. Essa região funcionava como liquidez acumulada e foi varrida nas últimas semanas.
Os marcadores de break of structure (BOS) e change of character (CHoCH) no gráfico confirmam que o controle migrou dos compradores para os vendedores. A estrutura segue dominada por uma linha de tendência descendente que vem capando todas as tentativas de recuperação desde então. Enquanto o preço operar abaixo dessa diagonal, o cenário base permanece de continuidade da correção.
O primeiro sinal de alívio viria da retomada da região de confirmação em torno de US$ 66.948, nível imediatamente acima do atual. Apenas um fechamento forte de 4 horas acima da trendline descendente — projetada em US$ 71.495 — abriria espaço para uma mudança real de momentum.
Três alvos escalonam a recuperação
Além disso, o preço enfrenta resistências em diferentes camadas acima da linha de tendência descendente. O primeiro rompimento pode levar o ativo até US$ 75.952, nível intermediário de breakdown que tende a ser testado caso o movimento ganhe força.
Acima dessa faixa, o mercado encontra seu principal alvo de curto prazo em US$ 79.453, região que atualmente concentra o controle dos vendedores e representa a resistência mais relevante da estrutura atual.
Mais adiante, entre aproximadamente US$ 77.000 e pouco acima de US$ 82.000, encontra-se a chamada premium supply zone. Esse intervalo coincide com o topo de maio. Portanto, o pico de US$ 82.800 é o alvo final de uma eventual reversão completa da tendência atual.
Piso de mineração entra na conta do investidor brasileiro
O quadro técnico ganha peso adicional quando combinado com fundamentos. A leitura da Schwab sobre custo de mineração aponta para US$ 60 mil como piso natural do ciclo. É justamente a região onde o preço opera agora. Já a projeção mais pessimista da Galaxy trabalha com a hipótese de perda desse patamar e ida a US$ 40 mil. Esse cenário invalidaria a tese técnica de reversão.
Assim, para o investidor brasileiro, o dado prático é que cada US$ 1.000 de variação no BTC equivale hoje a aproximadamente R$ 5.121 de oscilação por unidade. A pressão vendedora também tem origem identificável no fluxo institucional. Os ETFs de Bitcoin à vista nos EUA acumulam série de dias consecutivos de saída. BlackRock e Fidelity puxam os resgates.