Pressão vendedora no Bitcoin perde força em três frentes

  • Holders de longo prazo reduzem média de vendas a 962 BTC em 90 dias
  • Open Interest do Bitcoin recua 19,5% e supera queda de 11,4% no preço
  • Saques de ETFs desaceleram de US$ 1,72 bi para US$ 226 mi por semana

O Bitcoin opera próximo de US$ 62.109 (cerca de R$ 319,9 mil) nesta terça-feira, com queda de 4,5% nas últimas 24 horas. Apesar da pressão, três indicadores on-chain e de derivativos sugerem que a fase mais agressiva de distribuição pode estar ficando para trás.

O recuo recente do preço tem sido atribuído a uma combinação de aperto macroeconômico nos Estados Unidos e desmonte de posições alavancadas. Mas dados compilados por analistas independentes e plataformas como CryptoQuant e SoSo Value apontam para uma exaustão dos vendedores em três frentes distintas: holders antigos, traders alavancados e investidores institucionais via ETFs à vista.

Holders antigos reduzem vendas ao menor nível desde 2024

Bitcoin queda (6)

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O primeiro sinal vem do comportamento dos detentores de longo prazo, grupo conhecido como OGs. O analista Darkfost destacou que o ciclo atual registrou a maior onda de distribuição já vista entre essas carteiras, medida pelos dados de Spent Transaction Outputs (STXO), métrica que rastreia movimentações de moedas antigas na rede.

Os picos de venda ocorreram em três momentos, sempre após fortes valorizações: 3.860 BTC em maio de 2024, 3.200 BTC em fevereiro de 2025 e 2.360 BTC em setembro de 2025. Esses números refletem médias móveis de 90 dias, mas dias isolados chegaram a superar 100 mil BTC negociados.

Agora a curva mudou de direção. A média de 90 dias caiu para 962 BTC, o menor patamar desde novembro de 2024. O custo médio das moedas mais caras compradas por esse grupo gira em torno de US$ 63.200, valor próximo da cotação atual. “Nesses preços, esses investidores escolhem segurar em vez de vender, contribuindo para o alívio da pressão”, afirmou o analista em publicação no X.

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Open Interest cai 19,5% e derruba alavancagem

O segundo indicativo vem do mercado de derivativos. Dados da CryptoQuant mostram que o Open Interest total do Bitcoin atingiu US$ 25,96 bilhões em 1º de junho e despencou para US$ 20,89 bilhões até 21 de junho. A retração de 19,5% supera com folga a queda de 11,4% no preço no mesmo intervalo.

Quando o preço cai junto com a redução do Open Interest, o movimento indica encerramento de posições, não abertura de novas apostas vendidas. O contribuidor Woominkyu, da CryptoQuant, afirmou que o excesso de alavancagem foi drasticamente reduzido. “Isso não garante uma recuperação imediata, mas indica uma estrutura de mercado mais saudável do que um mercado de derivativos sobrecarregado”, escreveu.

Assim, a leitura é particularmente relevante para o investidor brasileiro que opera em corretoras como Binance e Bybit, onde o funding rate de perpétuos tinha entrado em terreno claramente positivo no início do mês. Episódios anteriores de desalavancagem semelhantes, como o de agosto de 2024, antecederam recuperações graduais sem o componente especulativo extremo. Já discutimos esse padrão na análise sobre o funding rate do Bitcoin.

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Saques de ETFs à vista desaceleram pela terceira semana

O terceiro sinal está no fluxo institucional. Os ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos acumularam a sexta semana consecutiva de saídas líquidas, mas o ritmo despencou. De acordo com a SoSo Value, os saques semanais passaram de US$ 1,72 bilhão no início de junho para US$ 315,84 milhões na semana encerrada em 12 de junho.

A desaceleração se manteve no período seguinte, com saída líquida de US$ 226,84 milhões até 18 de junho — uma redução superior a 86% em comparação ao pior momento do mês. Produtos da BlackRock e da Fidelity continuam concentrando o estoque institucional, enquanto fundos menores absorvem o grosso dos resgates.

Para uma reversão consistente, ainda é preciso ver os fluxos dos ETFs voltarem ao positivo e algum afrouxamento macroeconômico do Federal Reserve. Mineradoras listadas e tesourarias corporativas como a Strategy de Michael Saylor e a Strive seguem comprando no atual patamar, sinalizando que o lado comprador institucional não desapareceu — apenas mudou de mãos.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.