Ethereum trava em US$ 1.580 e baleias vendem US$ 880 milhões

  • ETH opera perto de US$ 1.580 com saques contínuos em ETFs spot americanos
  • Baleias venderam 550 mil ETH na semana, somando US$ 880 milhões em oferta
  • Perda de US$ 1.583 abre caminho para US$ 1.385 e US$ 1.237

O ethereum chega ao fim de junho preso em uma faixa estreita entre US$ 1.570 e US$ 1.580, sem força para reagir mesmo após um fim de semana de baixa volatilidade. A cotação atual marca US$ 1.580,69, equivalente a R$ 8.181,49, com queda de 1,2% nas últimas 24 horas.

A calmaria no gráfico esconde um cenário operacional ruim. ETH segue abaixo dos US$ 1.800 que traders apontam como zona de virada, e a pressão vem de três frentes simultâneas: saída de capital nos ETFs spot, distribuição agressiva de grandes detentores e demanda fraca no mercado à vista.

ETFs spot de Ethereum acumulam sete dias de saques

Ethereum queda

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Os fundos negociados em bolsa nos Estados Unidos registraram em 26 de junho o sétimo pregão consecutivo no vermelho, segundo dados da SoSoValue. Os ETFs de Bitcoin perderam cerca de US$ 445 milhões, enquanto os produtos atrelados ao Ethereum somaram US$ 12,85 milhões em resgates líquidos.

O volume retirado do ETH é pequeno em valores absolutos, mas a sequência importa. Esses veículos funcionam como fonte regular de demanda à vista, e quando os fluxos viram negativos por dias seguidos esse suporte desaparece. Já tratamos do avanço dos resgates nos ETFs de ETH nas semanas anteriores, e o padrão se confirma agora.

Compras institucionais isoladas não têm sido suficientes para reverter o quadro. A BitMine anunciou recentemente a aquisição de mais 75.000 ETH, e ainda assim o preço continuou negociando próximo de US$ 1.600. Isso indica que a oferta circulante absorve qualquer bolsão de demanda corporativa.

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Baleias despejam 550 mil ETH em uma semana

O analista on-chain Ali Martinez calcula que grandes carteiras venderam aproximadamente 550.000 ETH nos últimos sete dias. Aos preços atuais, isso representa cerca de US$ 880 milhões em pressão vendedora nova despejada no mercado.

Essa distribuição derrubou o suporte imediato de US$ 1.633 e empurrou o ativo para testar o nível de volume em US$ 1.583. Se a faixa não segurar, os próximos pontos de demanda relevantes ficam em US$ 1.237 e US$ 1.089 — patamares que não funcionam como meta automática, mas indicam onde compradores podem reaparecer historicamente.

O comportamento das baleias contrasta com o que se vê em altcoins concorrentes. Em Cardano, por exemplo, grandes endereços têm acumulado durante a correção. No ETH, o movimento é o inverso: distribuição em força.

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Analistas divergem sobre três trimestres negativos

O perfil Money Ape destacou um dado raro: o Ethereum caminha para fechar três trimestres consecutivos no vermelho pela primeira vez na história. Em sua leitura, isso abre espaço para o ativo perder os US$ 1.000 caso a confiança institucional siga deteriorando.

Michaël van de Poppe, da MN Capital, adota visão oposta. Para o trader holandês, qualquer cotação abaixo de US$ 1.800 é pouco atrativa para day trade, mas representa janela razoável para acúmulo de longo prazo. Ele aponta divergência de alta em múltiplos tempos gráficos e cita US$ 1.505 e US$ 1.385 como zonas de compra caso o preço varra liquidez para baixo.

Derivativos mostram vendedores no controle

A analista PelinayPA, da CryptoQuant, observa que a relação taker buy/sell na Binance segue acima de 1, sinalizando agressão compradora. Mesmo assim, o preço não reage. A leitura é direta: vendedores maiores estão absorvendo essas ordens de compra e impedindo qualquer rali.

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O quadro é especialmente delicado para o investidor brasileiro. Com o dólar a R$ 5,1759, perdas dolarizadas no ETH chegam amplificadas via câmbio quando há fuga para o real. Some-se a isso a discussão regulatória local — o Banco Central avalia travar saques de stablecoins por 24 horas —, e o ambiente para hedge em dólar tokenizado também ficou mais sensível.

Assim, a defesa de US$ 1.583 vira o gatilho técnico imediato. Perder esse piso destrava o caminho para US$ 1.505 e US$ 1.385, segundo o mapa de van de Poppe. Reconquistar US$ 1.800 seria o primeiro sinal estrutural de virada — algo que, com baleias ainda distribuindo, parece distante na janela atual.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.