Bitwise vê fundo do Bitcoin próximo e projeta bull market no outono

  • Matt Hougan, da Bitwise, projeta início de bull market no outono
  • STRC, da Strategy, evidencia desalavancagem típica de fim de ciclo
  • Funding negativo e medo extremo entram na lista de sinais de fundo

O diretor de investimentos da Bitwise, Matt Hougan, afirmou que o bitcoin está mais perto de um fundo do que de uma nova perna de queda. Em análise publicada em 1º de julho, o executivo defendeu que a atual correção reflete uma limpeza de alavancagem, e não fragilidade estrutural na demanda pelo ativo.

A leitura de Hougan chega em um momento em que o BTC se recupera das mínimas recentes próximas de US$ 60 mil e é negociado em US$ 62.876, equivalente a cerca de R$ 327 mil na cotação desta semana. Para o CIO, o repique não encerra o debate sobre o ciclo, mas abre uma janela para observar sinais mais claros de exaustão vendedora.

STRC expõe o estresse de fim de ciclo

No centro do argumento está o STRC, instrumento de preferred equity perpétuo emitido pela Strategy (Nasdaq: MSTR) para oferecer rendimento elevado com preço próximo a um valor fixo. A engenharia funcionava enquanto o bitcoin subia, já que os recursos captados iam para o balanço da companhia comprar mais BTC.

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Quando o preço virou, a estrutura passou a mostrar rachaduras. Hougan sustenta que o problema é a qualidade do capital, os investidores atraídos pelo STRC buscavam renda, não exposição direta ao bitcoin.

“Esse capital nunca combinou de fato com o bitcoin”, escreveu, no material publicado pela Bitwise.

A desalavancagem em curso, na visão dele, é justamente o processo de remover esse excesso construído durante a alta.

O raciocínio conversa com o alerta recente do JPMorgan, que criticou o plano da própria Strategy de liquidar até US$ 1,25 bilhão em BTC para honrar compromissos com detentores de instrumentos como o STRC. O episódio ajuda a explicar por que a volatilidade da MSTR virou termômetro do estágio do ciclo e não apenas uma questão idiossincrática da empresa de Michael Saylor.

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Três sinais para cravar o fundo

Hougan admite que fundos de mercado só ficam evidentes no retrovisor, mas listou indicadores que pretende monitorar. O primeiro é a MSTR passar a negociar com desconto sobre o valor patrimonial líquido. Segundo ele, isso mostraria que a ganância virou medo em estado puro, condição clássica para pisos de mercado.

O segundo gatilho é o Crypto Fear and Greed Index se aproximar de mínimas históricas, entrando em zona de “medo extremo”. O terceiro é o funding rate ficar decididamente negativo sinal de que há mais varejo tentando shortar o bitcoin do que apostar na alta.

“Você quer que esteja tão ruim a ponto de ficar bom”, resumiu o executivo.

A leitura dialoga com relatório recente da HTX Research, que também mapeou três condições para o retorno de um novo bull market do Bitcoin. Em ambos os casos, o foco sai do preço nominal e vai para posicionamento, alavancagem residual e sentimento agregado.

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Investidor brasileiro entre ETF, dólar e câmbio

Para o mercado local, a tese da Bitwise chega em um cenário particular. O Banco Central avança com regras de capital para exchanges cripto que entrarão em vigor em 2027, o que tende a concentrar liquidez em plataformas maiores. Ao mesmo tempo, os ETFs de bitcoin nos EUA voltaram ao azul depois de dez pregões de saques, o que sinaliza que o fluxo institucional também está testando a hipótese de fundo.

Com o dólar em R$ 5,1689, o investidor brasileiro sente a correção do bitcoin de forma amortecida em reais. O BTC caiu na moeda americana, mas o câmbio elevado sustenta a cotação em BRL acima de R$ 320 mil. Esse hedge involuntário costuma alongar o tempo de exposição do varejo local a cada ciclo, e ajuda a explicar por que a demanda doméstica raramente capitula junto com o mercado global.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.