- Ripple recebe licença MiCA em Luxemburgo e ganha acesso a 30 países europeus
- Damian Chmiel projeta XRP em US$ 0,67, US$ 0,47 e até US$ 0,29 se perder US$ 1
- Santiment aponta que holders de XRP registram maior prejuízo médio da história
A conquista regulatória mais relevante da Ripple na Europa em 2026 não conseguiu blindar o xrp de projeções pessimistas. A cotação recua para US$ 1,07 (R$ 5,53) nesta quarta-feira, queda de 5% em 24 horas, enquanto analistas alertam que o token pode desabar até US$ 0,29 caso perca o suporte psicológico de US$ 1.
O contraste é claro. De um lado, a empresa comandada por Brad Garlinghouse acaba de destravar operações reguladas em toda a União Europeia. De outro, indicadores on-chain mostram detentores de XRP no maior prejuízo médio da história do ativo.
Ripple obtém licença MiCA em Luxemburgo
A Ripple confirmou autorização plena da Commission de Surveillance du Secteur Financier (CSSF), autoridade financeira de Luxemburgo, sob o arcabouço Markets in Crypto-Assets (MiCA). A aprovação segue o sinal preliminar dado em junho e libera a empresa para oferecer serviços regulados de pagamento em cripto nos 30 países do Espaço Econômico Europeu.
Segundo Cassie Craddock, diretora da Ripple para Reino Unido e Europa, a licença coloca a companhia “pronta para escalar” na era pós-transição do MiCA. A autorização soma-se a mais de 75 licenças que a Ripple mantém globalmente e complementa a licença europeia de instituição de moeda eletrônica já existente.
O movimento tem paralelo com a estratégia da Ripple nos Estados Unidos. A empresa também levou recentemente propostas de regulação para XRP e RLUSD ao Congresso americano, tentando destravar clareza jurídica em seu mercado doméstico.
Chmiel projeta alvos de US$ 0,67, US$ 0,47 e US$ 0,29
A visão baixista vem de Damian Chmiel, analista sênior do Finance Magnates. Para ele, a queda recente do XRP não é um evento específico do token, e sim reflexo de um choque de liquidez que atingiu todo o mercado.
“O declínio de junho foi um evento de mercado amplo, não uma história do XRP. Bitcoin caiu cerca de 20% no mês e escorregou abaixo de US$ 59.000, e Ethereum, Solana e BNB caíram junto”, afirmou Chmiel.
O analista lista quatro fatores que pesam sobre o ativo, o selloff generalizado, o enfraquecimento institucional após a venda de 3.588 BTC pela Strategy, os atrasos no CLARITY Act e a dependência da direção do Bitcoin.
Com base nesses pilares, ele traça três alvos de queda caso o piso de US$ 1 seja perdido, US$ 0,67, US$ 0,47 e, no cenário extremo, US$ 0,29 o que representaria tombo próximo de 73% desde o preço atual.
Santiment registra maior prejuízo médio em 12 anos
Dados da plataforma de análise on-chain Santiment reforçam o quadro delicado. O indicador MVRV (Market Value to Realized Value) de 30 dias do XRP caiu para cerca de -45%, enquanto a métrica de 365 dias despencou para -47%.
“Combinados, o XRP NUNCA mostrou retornos médios menores nesses horizontes em seus 12 anos de negociação”, escreveu a Santiment.
A firma pondera, contudo, que períodos de pessimismo extremo historicamente antecedem oportunidades de longo prazo mais robustas.
No Brasil, o cenário complica o cálculo de quem entrou perto do topo. Com o dólar em R$ 5,1612, um investidor que comprou XRP acima de US$ 3 em janeiro de 2025 carrega prejuízo em reais próximo de dois terços da posição o que, na prática, deve segurar remessas de retail nas exchanges locais e sustentar o volume comprimido observado desde maio.
Basulto defende tese de recuperação em três anos
Nem todos os analistas compartilham o tom pessimista. Dominic Basulto vê tokenização e infraestrutura corporativa da Ripple sustentando recuperação relevante do XRP nos próximos três anos. Ele cita projeções de US$ 27 a US$ 100, mas admite que matemática atual não sustenta dois dígitos.
O suporte técnico imediato está na faixa de US$ 1,05 a US$ 1,07, segundo análise do CoinMarketCap. Uma perda sustentada dessa zona abriria caminho para retestar a mínima de junho, próxima de US$ 1,01. Enquanto isso, os ETFs de XRP nos Estados Unidos vinham registrando semanas consecutivas de captação positiva, fluxo que precisaria reverter antes de qualquer movimento drástico rumo a US$ 0,29.