BNB Chain aposta em 1 milhão de TPS para IA com BNB perto de mínima

  • BNB Chain projeta nova L1 com meta de 1 milhão de transações por segundo
  • Rede aposta em agentes de IA autônomos e privacidade nativa via zero-knowledge
  • BNB acumula queda superior a 35% em 2026 e opera perto de US$ 565

A BNB Chain, rede financiada pela Binance, apresentou um plano de reformulação profunda em sua arquitetura para tentar reverter a perda de tração diante de Solana e Ethereum. O objetivo declarado é ambicioso, chegar a 1 milhão de transações por segundo em uma nova Layer 1, com privacidade embutida no protocolo e resistência a computação quântica.

O anúncio chega em um momento delicado para o ecossistema. O token BNB é negociado a US$ 566,30 (R$ 2.916,09), com queda de 2,2% nas últimas 24 horas e retração superior a 35% no acumulado de 2026. É a menor cotação desde outubro de 2024.

Gráfico BNB
Fonte: coinmarketcap

A performance da rede também ficou para trás. No primeiro trimestre, as transações da BNB Chain caíram 12,5%, enquanto Solana avançou 46,4% e Ethereum, 38%. A perda relativa de atividade on-chain explica a urgência dos desenvolvedores em reposicionar a infraestrutura para nichos que ainda não são disputados por concorrentes maiores.

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Total de transações na cadeia (Fonte: Artemis)

Aposta em agentes de IA autônomos

O principal alvo estratégico é o mercado emergente de agentes de inteligência artificial capazes de executar transações financeiras sem intervenção humana. Relatório da Keyrock estima que agentes autônomos movimentaram cerca de US$ 73 milhões em 176 milhões de operações on-chain entre maio de 2025 e abril de 2026 números modestos, mas em crescimento acelerado.

Gigantes como Google, Coinbase e Visa já testam trilhos próprios de pagamento agentic. A McKinsey projeta que o comércio autônomo no varejo pode alcançar US$ 5 trilhões até o fim da década. Para capturar parte dessa demanda, a BNB Chain lançou o BNB Agent Studio e um SDK integrado a modelos de linguagem e serviços como AWS Bedrock.

A tese é que as blockchains atuais não aguentam softwares que fazem milhares de microcompras por minuto. Daí a necessidade de uma nova camada base. Vale lembrar que a corrida por infraestrutura de IA já contamina o setor de mineração: recentemente, a TeraWulf fechou contrato de US$ 19 bilhões com a Anthropic para converter capacidade computacional em data centers de IA.

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Nova L1 com testnet em 2026 e mainnet em 2027

A proposta técnica parte de mais de 100 mil TPS, com consenso otimizado, execução paralela e armazenamento baseado em LtHash. A meta de longo prazo é o milhão de TPS, com pré-confirmações abaixo de 50 milissegundos e finalização de bloco em menos de um segundo.

Um dos destaques é o TxStream, que elimina o mempool público e envia transações diretamente ao líder do bloco. A ideia é reduzir front-running e reordenação por bots, prática que corroeu a confiança em várias redes. Já o PriorityLane reservará espaço em bloco para oráculos, liquidações e transações de ponte durante estresse de mercado um problema recorrente que investidores brasileiros conhecem bem em momentos de alta volatilidade, quando cascatas de liquidações drenam centenas de milhões em minutos.

A testnet está prevista para o fim de 2026, com mainnet no início de 2027. O cronograma é longo diante da velocidade competitiva do setor, o que deixa em aberto se a BNB Chain conseguirá segurar market share até lá.

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Privacidade nativa e defesa pós-quântica

Outra frente é a privacidade nativa. A rede desenvolve transações confidenciais e divulgação seletiva usando provas de conhecimento zero, permitindo comprovar conformidade sem expor saldos ou contrapartes. A pressão vem de fundos, market makers e empresas que movimentam ativos tokenizados e não querem posições rastreáveis publicamente.

Para o investidor brasileiro, o movimento tem leitura dupla. De um lado, uma BNB Chain mais robusta beneficia exchanges locais que dependem da rede para negociar tokens BEP-20 com custo baixo. De outro, a estratégia deixa claro que a Binance abandona a competição direta pelo varejo especulativo e mira institucional segmento em que a B3 já se posicionou ao lançar opções sobre futuros de BTC, ETH e SOL.

Os desenvolvedores também estudam criptografia pós-quântica em camada híbrida, seguindo tendência adotada por Cloudflare (meta para 2029) e Microsoft (transição completa até 2033). O blog oficial da BNB Chain detalha o cronograma técnico. Se a arquitetura entregar o prometido, a rede passa a competir em latência com trilhos financeiros tradicionais um patamar que nenhuma L1 pública atingiu até agora.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.