Anthropic vai usar mineradora de Bitcoin para roda a IA Claude

  • TeraWulf estima US$ 19 bilhões em receita contratada em 20 anos com Anthropic
  • Campus em Kentucky terá 401 MW de capacidade até início de 2028
  • Ação WULF sobe mais de 12% e destoa da queda do setor cripto

A mineradora de Bitcoin TeraWulf assinou um contrato de locação de 20 anos com a Anthropic, laboratório de inteligência artificial responsável pelo modelo Claude. O acordo prevê receita contratada estimada em US$ 19 bilhões durante o prazo inicial. Isso marca a virada definitiva da empresa, que deixa de ser apenas mineradora de BTC. Agora, passa a operar como fornecedora de infraestrutura para modelos de IA.

Assim, o anúncio veio em comunicado oficial da própria TeraWulf. A locação será executada no campus Justified Data, em Hawesville, no estado americano do Kentucky. A instalação vai suportar cerca de 401 MW de carga crítica de TI e será entregue em fases, com energização inicial prevista para o segundo semestre de 2027 e capacidade plena até o começo de 2028.

A reação nos mercados foi imediata. Assim, as ações da mineradora, negociadas sob o ticker WULF, subiram mais de 12% no pregão do anúncio. Foram cotadas ao redor de US$ 24. Esse movimento contrasta com o desempenho azedo do resto do setor. Nesta segunda, o Bitcoin opera a US$ 63.470, com alta modesta de 1,4% nas últimas 24 horas. Ainda está longe de recuperar as máximas anteriores.

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Acordo com Anthropic antecede IPO de US$ 1 trilhão

anthropic

Além disso, a costura do contrato acontece em um momento sensível para a Anthropic. A empresa negocia uma oferta pública inicial (IPO) com avaliação que pode chegar a US$ 1 trilhão. Recentemente, obteve autorização do governo americano para expandir o modelo Mythos AI para organizações selecionadas. Portanto, fechar capacidade computacional de longo prazo é peça central da narrativa antes de ir a mercado.

Para a TeraWulf, o negócio consolida uma pivotagem que vinha sendo desenhada há meses. Assim, a empresa faz parte de uma leva de mineradoras americanas que passaram a reciclar seus parques energéticos — projetados originalmente para hashrate — em data centers de alta densidade. Eles são mais rentáveis por MW instalado. Riot Platforms, Core Scientific e Hut 8 seguiram caminho parecido. Aproveitaram contratos de energia baratos e conexões elétricas já aprovadas.

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No mesmo comunicado, a TeraWulf informou que fechou acordo para vender sua participação de 50,1% na joint venture Abernathy para um grupo de investidores liderado pela Fluidstack, sua sócia no projeto. A operação monetiza aproximadamente US$ 450 milhões investidos, com prêmio sobre o capital aportado. Além disso, libera caixa para acelerar os projetos próprios de infraestrutura de IA.

Mineradoras viram alvo preferido do capital de IA

A tese por trás do movimento é objetiva. Data centers para treinar modelos de linguagem exigem gigawatts de energia estável, refrigeração industrial e localização estratégica — exatamente o que as mineradoras já entregam. Enquanto a receita por terahash do Bitcoin comprime após o halving, o aluguel por megawatt para hyperscalers e laboratórios de IA cresce em ritmo acelerado.

Esse arbitrage explica movimentos recentes que vêm reduzindo a base de hashrate disponível ao Bitcoin. Assim, a transferência de 500 BTC da Riot para a NYDIG serviu justamente para financiar capex em infraestrutura de IA. Já a IREN despencou 10% após conceder pacote acionário bilionário a executivos em meio à mesma transição.

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Rede Bitcoin pode perder hashrate para contratos de IA

Para o investidor brasileiro que acompanha teses de mineração via ações listadas no exterior, o recado é claro: o modelo de negócio das mineradoras públicas está sendo reprecificado. Quem consegue migrar parte da capacidade para clientes de IA passa a operar com receita previsível de longo prazo. Isso era algo impensável na dinâmica volátil do mining tradicional.

Do lado da rede Bitcoin, o efeito colateral merece atenção. Se mais mineradoras alocarem megawatts para IA em vez de hashrate, o ajuste de dificuldade tende a beneficiar quem permanecer minerando puro BTC. Ao mesmo tempo, reduz a concentração geográfica da rede em polos energéticos americanos. A tendência foi apontada em análises recentes sobre movimentações de mineradoras e ganha nova evidência com o acordo Anthropic-TeraWulf. Detalhes técnicos do contrato constam no comunicado oficial publicado pela TeraWulf.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.