American Bitcoin evapora US$ 600 milhões e afunda 95% do topo

  • Ação da American Bitcoin cai 95% do pico e força grupamento na Nasdaq
  • Empresa mantém 8.000 BTC em tesouraria mesmo com prejuízo de US$ 81,8 milhões
  • Rivais que apostaram em IA acumulam alta média de 60% no ano

A American Bitcoin, mineradora ligada a Eric Trump, virou o retrato do descolamento entre mineração de bitcoin e o boom da inteligência artificial. A ação da companhia, listada na Nasdaq com o ticker ABTC, despencou mais de 95% em relação ao topo histórico e apagou cerca de US$ 600 milhões em valor de mercado da fatia detida pelo filho do presidente dos Estados Unidos.

A queda foi tão intensa que a empresa precisou executar um grupamento de 1 para 15 nos últimos meses só para manter a listagem no pregão eletrônico. Mesmo assim, o papel acumula perda de aproximadamente 77% em 2026, segundo levantamento divulgado nesta semana. Eric Trump detém cerca de 6% do capital da mineradora.

Grupamento 1 para 15 tenta segurar listagem

O reverse stock split é uma medida clássica de empresas que veem o preço unitário do papel se aproximar de US$ 1, patamar que dispara alertas de deslistagem na Nasdaq. Ao consolidar 15 ações em uma, a American Bitcoin recuperou cotação nominal, mas não reverteu a sangria de valor.

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No primeiro trimestre, a companhia reportou prejuízo líquido de US$ 81,8 milhões, resultado puxado principalmente pela desvalorização contábil das reservas de bitcoin no balanço. Número expõe efeito duplo da tesouraria: BTC em alta valoriza resultados; em queda, passivos aparecem na demonstração financeira.

A pressão sobre a ABTC ocorre em um momento delicado para a indústria como um todo. Dados recentes mostram que cerca de 20% das mineradoras listadas operam com margem negativa, cenário que o BitNotícias detalhou em análise sobre o estresse dos mineradores após a última redução da recompensa por bloco.

Tesouraria cresce para 8 mil BTC mesmo com tombo

Apesar do colapso na bolsa, a companhia manteve o ritmo de acumulação de bitcoin. O estoque atual gira em torno de 8.000 BTC, avaliados em aproximadamente US$ 504 milhões pela cotação atual de US$ 62.992, o equivalente a cerca de R$ 2,6 bilhões. A posição coloca a American Bitcoin como a 16ª maior detentora corporativa da criptomoeda no mundo.

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Tese de acumulação lembra Strategy de Saylor, mas American Bitcoin também financia hashrate, hardware, energia e folha própria. A conta fica apertada quando o mercado passa a exigir eficiência energética competitiva com data centers de IA.

Riot, MARA e TeraWulf viram a chave para inteligência artificial

Enquanto a ABTC afunda, um grupo de mineradoras rivais surfa a corrida por infraestrutura de IA. Riot Platforms, Cipher Mining, MARA Holdings e TeraWulf passaram a alugar capacidade computacional para empresas de inteligência artificial. Os papéis dessas companhias acumulam alta média de 60% no ano.

O caso mais emblemático é o contrato bilionário assinado entre a TeraWulf e a Anthropic, que o BitNotícias tratou em detalhe na cobertura do acordo de US$ 1,9 bilhão para rodar o modelo Claude. Investidores institucionais pagam prêmio por mineradoras que viram fornecedoras de infraestrutura híbrida, além de produtoras de hashrate Bitcoin.

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Leitura de risco para brasileiros com exposição a mineradoras

Para investidores brasileiros via BDR ou corretora internacional, diferença entre ABTC e rivais focados em IA acende alerta. Mineração de Bitcoin perdeu força como proxy do BTC; sem computação de margem, depende do preço e energia. O bitcoin negocia em US$ 62.705, patamar que não sustenta as projeções de fluxo de caixa que justificavam o valuation das mineradoras nos picos de 2024.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.