Estresse de mineradores de Bitcoin bate nível raro, 20% operam no vermelho

  • Puell Multiple cai a 0,74 e entra em zona historicamente associada a fundos
  • JPMorgan calcula custo médio de produção em US$ 78 mil há cinco meses
  • Hashrate global recua 25% desde outubro de 2025 e dificuldade cai 10%

O setor de mineração de bitcoin atravessa um dos momentos mais apertados da última década. O Miner Cycle Stress Composite, indicador que agrega métricas de receita, rentabilidade e pressão operacional dos produtores de blocos, atingiu nova mínima de 2026 e entrou em faixa considerada de subvalorização. Leituras semelhantes ocorreram próximas aos fundos de ciclo de 2015, 2018 e 2020.

O analista Wu Blockchain destacou o padrão em publicação no X, apontando que a queda sincronizada dos componentes reproduz o comportamento observado antes de reversões estruturais. Um dos indicadores mais observados dentro do índice, o Puell Multiple, caiu para 0,74 sinal de que a receita diária dos mineradores está cerca de 26% abaixo da média anual.

O quadro se agrava com a queda de 11% na receita agregada da rede nos últimos dez dias e com o recuo do hashrate, que perdeu mais de 25% desde outubro de 2025. É um dos períodos de contração mais prolongados já registrados no protocolo.

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JPMorgan vê custo de produção em US$ 78 mil

Analistas do JPMorgan estimam que o bitcoin negocia abaixo do custo médio de produção de aproximadamente US$ 78.000 há cinco meses consecutivos. Com o ativo atualmente cotado a US$ 63.290 (cerca de R$ 331.142), roughly 20% dos mineradores operam no prejuízo direto sem contar depreciação de equipamentos.

Gráfico Bitcoin
Fonte: coinmarketcap

A rede reagiu com um ajuste de dificuldade para baixo de 10,09%, levando o parâmetro a 124,93 trilhões. É o segundo maior corte de 2026, atrás apenas da queda de 11,16% registrada em fevereiro. O movimento reflete a saída de máquinas ineficientes, típica de fases de purga do setor.

O baque também aparece nos preços de serviço. O hashprice, receita diária esperada por petahash, desabou 18% em episódio recente e caiu a US$ 28,68, mesmo com a dificuldade tendo subido 7,15% no ajuste anterior. CoinShares estima que 15% a 20% dos operadores estão no vermelho e migram para cargas de inteligência artificial.

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SBI encerra pool e mineradoras migram para IA

A pressão já tem vítimas concretas. A japonesa SBI Crypto anunciou o encerramento de seu pool de mineração após cinco anos, deixando 20.412 PH/s pouco mais de 2% do hashrate global em busca de nova casa antes de 30 de julho. No Brasil, menor lucro global comprime prêmio dos futuros de BTC em BRL e também afeta contango local.

Empresas listadas seguem a mesma cartilha. A migração para data centers de IA ganhou força entre grandes operadoras norte-americanas, e a Riot Platforms movimentou 500 BTC à NYDIG para reforçar caixa e financiar capex fora da mineração pura.

VanEck projeta retorno mediano de 40% em 90 dias

Historicamente, capitulações do hashrate antecedem retornos expressivos. Pesquisa da VanEck mostra que, excluídos os primeiros anos da rede, o bitcoin entregou retorno mediano na casa dos 40% e poucos por cento nos 90 dias seguintes a episódios semelhantes. Casa projeta cenários, alta de 10% a 35%, faixa mista entre -5% e 20%, e queda até 30%.

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Miner Capitulation Index supera 65, sinalizando estresse elevado, mas ainda longe da capitulação extrema histórica vista em 2022. Do lado da demanda, os ETFs à vista sangraram US$ 4,5 bilhões em junho, o pior mês desde o lançamento. O próximo ajuste de dificuldade dirá se a purga continua: novo corte profundo confirmaria que máquinas ineficientes seguem deixando a rede.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.