- Jurrien Timmer diz que Bitcoin está próximo da linha de suporte da power law
- Modelo aponta desvio de -56% e Z-score de -100% frente ao ouro
- Suporte de longo prazo calculado em US$ 56.488, próximo do preço atual
Jurrien Timmer, diretor de macro global da Fidelity Investments, afirmou que o Bitcoin pode ter entrado em uma zona de acumulação. A avaliação foi publicada pelo executivo no X e se baseia no modelo de power law que a gestora usa para mapear ciclos da maior criptomoeda do mundo.
“Na minha visão, o Bitcoin também pode estar em uma zona de acumulação”, escreveu Timmer. Segundo o analista, o ativo se aproxima da linha inferior do corredor estatístico que a Fidelity acompanha há mais de uma década. O BTC é negociado nesta manhã a US$ 63.995, o equivalente a R$ 327.558, com leve queda de 0,2% em 24 horas.
Como a power law mapeia fundos do Bitcoin

Assim, o modelo de lei de potência traça um corredor logarítmico em torno do preço do Bitcoin desde os primeiros anos da rede. Quando a cotação encosta no teto do canal, o gráfico marca zonas de distribuição — foi o caso dos topos em US$ 1.137 (desvio de +97%), US$ 19.042 (+90%) e US$ 64.337 (+80%).
Os fundos aparecem no movimento oposto. No bear market de 2014 e 2015, o preço tocou US$ 230 contra um suporte teórico de US$ 252, desvio de -62%. Em 2018, o piso ficou em US$ 3.204, com desvio de -53%. No inverno cripto de 2022, o fundo em US$ 16.366 encaixou no cálculo de US$ 15.006, desvio de -57%.
A leitura atual mostra o Bitcoin a poucos milhares de dólares da linha de suporte de longo prazo, projetada em US$ 56.488. O desvio semanal está em -56%, número que replica quase exatamente as três capitulações anteriores. O padrão foi detalhado por Timmer em publicação no X.
Z-score contra o ouro repete 2014, 2018 e 2022
Assim, a Fidelity cruza dois indicadores no painel inferior do gráfico. As barras rosas medem o desvio percentual em relação à linha de tendência da power law. As azuis acompanham o Z-score de 52 semanas do par Bitcoin/Ouro, útil para identificar exaustão relativa entre os dois ativos.
O Z-score atual está em -100%. Historicamente, sempre que o indicador comprime para a faixa entre -100% e -120%, o Bitcoin encerra ciclos de queda contra o metal. Aconteceu no fim de 2014, no fim de 2018 e no fim de 2022 — três pontos que antecederam altas de várias centenas por cento nos meses seguintes.
Além disso, o sinal ganha peso porque contradiz o desempenho de curto prazo. A Tabela Periódica de Retornos da Fidelity para 2026 mostra Bitcoin, ouro à vista e treasuries longos no rodapé do ranking anual, atrás de mercados emergentes, small caps americanas e ações japonesas.
O que a tese muda para o investidor local
Assim, a projeção da Fidelity ecoa outras casas globais. O Standard Chartered manteve alvo de US$ 100 mil para o Bitcoin em 2026, mesmo com a correção recente. Já a CryptoQuant aponta que a Strategy virou vendedora líquida, o que aumenta a leitura de exaustão de curto prazo.
No gráfico semanal, o Bitcoin marcou piso local em US$ 62.685 e ensaia recuperação. A distância até a linha de suporte da power law é curta em termos absolutos, mas o modelo permite oscilações abaixo do traçado, como ocorreu em 2015 e 2022. Além disso, Timmer não fixou prazo para o fim do ajuste, mas afirmou que o Bitcoin está “cada vez mais próximo” do piso matemático que a gestora acompanha desde a primeira metade da última década.