- Bitcoin recua até US$ 61.300 e testa média móvel de 200 semanas
- Liquidações somam US$ 740 milhões em 24 horas, sendo US$ 623 mi em longs
- Bear flag no semanal projeta queda até a faixa de US$ 50 mil a US$ 52 mil
O Bitcoin voltou a testar o nível técnico mais observado pelos traders de longo prazo. A média móvel de 200 semanas, hoje em torno de US$ 61.700, segurou pelo menos por agora uma onda de liquidações que varreu o mercado nas últimas 24 horas e devolveu o ativo ao centro do debate sobre fim de ciclo.
A queda levou o BTC até cerca de US$ 61.300 antes de uma reação compradora empurrar o preço de volta acima de US$ 64.750, recuperação superior a 5% em poucas horas. No momento, o Bitcoin é negociado a US$ 62.560 (R$ 317.779), com perda de 6,7% no período, segundo dados de mercado.
US$ 623 milhões em longs evaporam em 24 horas
O estrago entre alavancados foi expressivo. Dados da CoinGlass mostram que mais de US$ 740 milhões em posições foram zeradas no intervalo de um dia. Desse total, traders que apostavam na continuidade da alta responderam por US$ 623 milhões em posições compradas e sofreram com a queda do mercado.
O movimento ganhou tração logo após notícias sobre um cessar-fogo entre Israel e Líbano, mas a dinâmica de preço já estava sendo moldada pela cascata de liquidações antes do anúncio diplomático. Em outras palavras: o gatilho foi técnico, não geopolítico. Quem operava com margem alta em corretoras como Binance e Bybit absorveu o pior da volatilidade.
Para o investidor brasileiro, o impacto direto aparece no real. Com o dólar em R$ 5,0636 e o BTC abaixo de R$ 320 mil, os investidores voltaram a encontrar níveis de entrada que não apareciam há semanas. Exchanges locais reportaram pico de volume durante o flash crash, e a auditoria independente exigida pelo Banco Central ganha relevância em episódios assim, quando a liquidez é testada em poucos minutos.
Bear flag no semanal aponta para US$ 52 mil
No gráfico semanal, o desenho técnico segue desfavorável. A formação conhecida como bear flag (bandeira de baixa) está em rompimento e projeta um alvo entre US$ 50.000 e US$ 52.000 caso a média de 200 semanas perca força. O volume crescente nos candles de queda reforça a leitura.
O BTC ainda não conseguiu retomar a linha superior da bandeira, o que mantém o cenário baixista tecnicamente válido mesmo após o repique. O analista ZordXBT destacou o pavio inferior alongado do candle como sinal de defesa agressiva dos compradores na região de mínimas. RidaaXBT projeta repique até US$ 69 mil ou US$ 70 mil após liquidações reduzirem pressão vendedora imediata.
Nem todos compram a tese otimista. Hitman42.eth alertou que o repique pode funcionar como armadilha atraindo novos longs antes de uma segunda perna de queda. Essa leitura ganha peso quando combinada com o fluxo de saídas em ETFs spot de Bitcoin, que vinha pressionando o ativo antes mesmo do colapso desta semana.
Histórico da média de 200 semanas favorece os compradores
O nível em torno de US$ 61.700 não é arbitrário. Desde 2015, a média móvel de 200 semanas marcou o fundo de todos os grandes ciclos de baixa do Bitcoin. O ativo já a testou em momentos críticos no fim de 2018 e no crash de março de 2020 e reagiu com fortes recuperações em ambos os casos.
A diferença agora é o contexto institucional. Em 2018 e 2020, não havia ETFs spot, tesourarias corporativas relevantes nem o nível atual de exposição alavancada via derivativos. A queda também pressiona o restante do mercado, o Ethereum opera a US$ 1.750, com perda de 6,6%, enquanto a Solana recua 8,4%, para US$ 68,76, mostrando que o estresse atinge todo o setor.
Enquanto o BTC se mantiver acima de US$ 61.700, o rompimento da bear flag não está confirmado. Uma recuperação consistente desse patamar coloca US$ 70.000 de volta como próximo alvo relevante. Abaixo, o caminho aberto leva à zona entre US$ 50 mil e US$ 52 mil território que mudaria a estrutura do ciclo atual.