ETF de Bitcoin completa 12 dias de saques e BTC cai para US$ 65 mil

  • ETFs spot de Bitcoin perdem US$ 519 mi e somam 12 dias seguidos de saques
  • Liquidações em cripto chegam a US$ 1,86 bi com longs respondendo por 88% do total
  • BlackRock IBIT lidera resgates com US$ 308 mi e Strategy quebra silêncio de 4 anos

O fluxo institucional que sustentou o Bitcoin nos últimos 18 meses inverteu de sinal. Os ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos registraram saída líquida de US$ 519,19 milhões em 2 de junho, marcando o 12º pregão consecutivo no vermelho — a maior sequência negativa desde o lançamento dos produtos em janeiro de 2024, segundo dados da SoSoValue.

A pressão derrubou o preço do BTC abaixo de US$ 66 mil na manhã desta quarta. A cotação tocou mínima de US$ 65.372 antes de uma breve recuperação, completando uma queda de 6% em 24 horas que apagou dois meses de avanço. O ativo opera agora 47% abaixo da máxima histórica de US$ 126.080 atingida em outubro.

De acordo com a CoinGecko, o Bitcoin é negociado próximo de US$ 65.659, equivalente a R$ 333.407, com recuo semanal de 11,7%. O movimento puxou o restante do mercado: o Ethereum cedeu para US$ 1.819 e o Solana para US$ 72,67, ambos com perdas superiores a 5% no dia.

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BlackRock IBIT lidera saída de US$ 308 milhões

Bitcoin quedas

Além disso, o fundo iShares Bitcoin Trust (IBIT), da BlackRock, concentrou o maior resgate do dia, com US$ 308,64 milhões. O GBTC, da Grayscale, perdeu US$ 83,51 milhões, seguido pelo FBTC da Fidelity (US$ 45,14 milhões) e pelo ARKB da Ark 21Shares (US$ 16,67 milhões). O único produto a receber capital foi o MSBT do Morgan Stanley, com modestos US$ 14,77 milhões de entrada.

Somando o pregão anterior, que já havia registrado US$ 483,76 milhões em retiradas, a sangria em dois dias soma cerca de US$ 1 bilhão. Assim, o cenário replica — em direção contrária — o papel que esses mesmos fundos exerceram quando empurraram o Bitcoin de US$ 40 mil para o pico acima de US$ 126 mil ao longo de 2024 e 2025. Quem comprou na ponta agora distribui. A continuidade do movimento pode ser acompanhada no contexto de resgates anteriores do IBIT.

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Cascata de liquidações chega a US$ 1,86 bilhão

O tombo levou consigo posições alavancadas. Dados do Coinglass mostram US$ 1,86 bilhão liquidados em 24 horas no mercado cripto, com longs respondendo por 88% do total. Só em contratos de Bitcoin, foram US$ 896,4 milhões zerados. Ether perdeu US$ 482,17 milhões e Solana, US$ 91,46 milhões.

O open interest em perpétuos de BTC despencou junto com o preço, indicando que houve limpeza de alavancagem — e não simples rotação entre posições. Além disso, na Deribit, a demanda por proteção empurrou o open interest de opções para puts com strike em US$ 50 mil. Assim, dealers operam em zona de gamma negativo entre US$ 68 mil e meados de US$ 50 mil, configuração que mecanicamente amplifica vendas em quedas adicionais.

Strategy quebra silêncio de quatro anos

Assim, o  pano de fundo inclui um sinal simbólico potente. A Strategy, maior detentora corporativa de Bitcoin do mundo com 843.706 BTC, divulgou na semana passada a venda de 32 unidades para custear distribuição de dividendos. Foi a primeira venda em quase quatro anos, marcando ruptura na política de buy-and-hold que definia a tesouraria liderada por Michael Saylor.

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Além disso, no mesmo período, o espólio da Mt. Gox movimentou 10.306 BTC, reacendendo o receio de distribuição a credores. Ataques de mísseis iranianos contra a sede da Quinta Frota dos EUA no Bahrein adicionaram componente geopolítico ao risk-off, beneficiando dólar e ouro em detrimento de ativos voláteis.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.