- Bitcoin caiu a US$ 78.611 após cúpula EUA-China terminar sem avanço comercial
- Trump sinalizou operação militar no Irã e WTI ultrapassou US$ 105 o barril
- Liquidações somaram US$ 433 milhões, com US$ 382 milhões em posições compradas
O bitcoin voltou a operar abaixo dos US$ 79 mil nesta sexta-feira (15) após a cúpula entre Estados Unidos e China encerrar sem qualquer avanço concreto sobre tarifas, semicondutores e o impasse em torno de Taiwan. A queda foi amplificada por declarações belicosas do presidente Donald Trump sobre o Irã, que jogaram o petróleo para o maior patamar do ano.
Segundo dados da Bitstamp, a maior criptomoeda do mundo despencou para a mínima de US$ 78.611 por volta das 10h (horário de Nova York), antes de reagir e voltar a operar próxima de US$ 79.400 no início da tarde. A perda em 24 horas ficou em quase 3%, com a capitalização total do ativo caindo abaixo de US$ 1,6 trilhão.
O movimento contrasta com o otimismo da véspera, quando o bitcoin chegou a tocar US$ 82 mil após o Comitê Bancário do Senado norte-americano aprovar o avanço do CLARITY Act por 15 votos a 9. O alívio regulatório, no entanto, durou pouco diante da pressão geopolítica que dominou o pregão.
Cúpula EUA-China frustra mercados
Vendido como o encontro diplomático mais relevante entre Washington e Pequim em anos, o evento de dois dias terminou sem acordo sobre os pontos sensíveis. O cerco norte-americano às exportações de chips avançados e hardware de inteligência artificial segue intacto, e a soberania de Taiwan voltou a ser tratada como linha vermelha pelos chineses.
Para analistas geopolíticos, o desfecho consolida uma guerra tecnológica de longo prazo entre as duas maiores economias do planeta. Ativos de risco reagiram em cadeia: o S&P 500, que havia tocado a marca histórica de 7.500 pontos na quinta-feira, recuou para 7.450. Nasdaq e Dow Jones operavam com perdas inferiores a 1% no fim da tarde.
Houve, contudo, um ponto de convergência inesperado entre americanos e chineses: a postura em relação ao programa nuclear iraniano e ao recente fechamento do Estreito de Ormuz por Teerã. Esse alinhamento durou apenas algumas horas no radar dos investidores.
Trump eleva tensão com Irã
A bordo do Air Force One, Trump afirmou a jornalistas que os Estados Unidos podem precisar fazer um “trabalho de limpeza” no Irã, em referência velada a uma intervenção militar. A retórica derrubou ativos de risco e disparou os preços da energia.
O West Texas Intermediate (WTI) ultrapassou momentaneamente os US$ 105 por barril, enquanto o Brent subiu 3% e fechou cotado a US$ 109. O choque de oferta esperado em caso de escalada militar reacende o temor inflacionário e complica a leitura do Federal Reserve, que já enfrenta divisão interna sobre o próximo passo da política monetária. Para o investidor brasileiro, o cenário tem peso duplo: petróleo em alta sustenta o real frente ao dólar via balança comercial, mas pressiona combustíveis e desancora a inflação importada — fatores que historicamente reduzem apetite por cripto na bolsa local.
Liquidações superam US$ 433 milhões
A correção brusca produziu um efeito cascata no mercado de derivativos. Apenas no bitcoin, foram US$ 86 milhões em posições compradas liquidadas, contra US$ 11,5 milhões em vendidas. No conjunto do mercado cripto, o estrago chegou a US$ 433 milhões, com US$ 382 milhões concentrados em traders alavancados apostando na alta.
O padrão repete o que se viu em outros episódios recentes do ciclo. Após o CPI de abril nos EUA, o bitcoin já havia testado a região dos US$ 79 mil, e o open interest acumulado em futuros mostra um mercado dividido entre quem aposta em retomada e quem vê espaço para mais perdas.
Investidores agora monitoram tanto o desfecho do CLARITY Act no plenário do Senado quanto o ritmo da escalada com Teerã. A tese de que o ouro digital reagiria como porto seguro a choques geopolíticos volta a ser questionada — pelo menos no curto prazo, o ativo segue correlacionado a ações de tecnologia. Trump indicou em declaração pública que novas medidas devem ser anunciadas nos próximos dias.
