- Bitcoin opera entre US$ 77.400 e US$ 77.500 após otimismo com acordo EUA-Irã
- Brent recua US$ 4,86 e WTI cai US$ 4,77 com possível reabertura de Hormuz
- Rali só se confirma se inflação ceder e Fed retomar caminho de cortes
O bitcoin reagiu ao noticiário de uma possível trégua entre Estados Unidos e Irã com um movimento de alívio, mas o rali ainda precisa de confirmação em dados duros antes de virar uma tese macro consolidada. No domingo, 25 de maio, a maior criptomoeda do mercado oscila entre US$ 77.400 e US$ 77.500, ainda muito distante da máxima histórica de US$ 126.198 registrada em outubro de 2025.
O gatilho foi um suposto rascunho de acordo que prevê estender o cessar-fogo por 60 dias, reabrir o Estreito de Ormuz, autorizar vendas de petróleo iraniano sob waivers de sanções e empurrar as concessões nucleares para uma segunda rodada de negociação. Se a sequência se confirmar, o prêmio de guerra embutido no petróleo tende a cair. E é aí que mora a tese para o investidor cripto.
Petróleo é o primeiro teste do rali
O canal de transmissão mais rápido entre diplomacia e cripto passa pelo barril. Após declarações do presidente Donald Trump de que as conversas com Teerã avançavam, o WTI recuou para US$ 90, e o Brent caiu para US$ 95. O pregão americano estava fechado pelo Memorial Day, então o movimento reflete reação global e do mercado futuro de energia, não um fechamento completo de risco nos EUA.
Mesmo assim, a direção foi clara: menos pressão imediata de inflação e mais espaço para ativos de risco respirarem. O bitcoin vinha se comportando como ativo sensível à liquidez, penalizado por energia cara e juros reais elevados. Qualquer sinal que reduza essa equação tende a destravar um movimento de recuperação amplificado.
O problema é que diplomacia não move barril. A International Energy Agency estima produção do Golfo 14,4 milhões de barris/dia abaixo do pré-guerra. Os fluxos de petróleo pelo estreito caíram de 20,7 milhões de barris diários no quarto trimestre de 2025 para 14,6 milhões no primeiro trimestre de 2026, segundo a EIA dos Estados Unidos. O GNL recuou de 10,1 para 7,3 bilhões de pés cúbicos por dia no mesmo intervalo.
O rali passa pelo Fed
A real aposta por trás da alta do BTC é uma reabertura do caminho de cortes de juros. O CPI de abril subiu 0,6% no mês e 3,8% em 12 meses, com energia avançando 17,9% e gasolina disparando 28,4% no ano. Esse repasse é o que transforma choque geopolítico em pressão doméstica de juros.
A ata da reunião de abril do Fed empurrou os cortes esperados para o terceiro e quarto trimestres de 2026 e o primeiro trimestre de 2027. Pior, o mercado de opções passou a precificar cerca de 30% de probabilidade de alta de juros até o início de 2027. Além disso, foi nesse cenário que Waller abriu porta para alta, derrubando o BTC. O acordo com o Irã só reverte esse quadro se chegar ao bolso do consumidor americano em forma de gasolina mais barata.
Impacto para o investidor brasileiro
Para quem opera cripto no Brasil, o vetor é duplo. Petróleo em queda fortalece o real, reduz pressão inflacionária e favorece cortes da Selic, impulsionando ativos de risco. Por outro lado, a Petrobras é exportadora líquida, então o impacto fiscal local é ambíguo. Em dólares, o BTC ainda precisa romper resistências relevantes para validar a virada a projeção de Van de Poppe sugere que US$ 75 mil segue como suporte crítico no curto prazo.
A versão otimista do trade é simples, petroleiros voltam a circular, oferta iraniana retorna, gasolina cede, breakevens de inflação esfriam e o Fed antecipa cortes. A versão bearish exige apenas atrito suficiente para que Ormuz não normalize de fato, ou que a linguagem nuclear final fique aquém do JCPOA original em enriquecimento e verificação. Nesse caso, a fotografia muda, mas o problema inflacionário continua na mesa.
Sem impacto em inflação e combustíveis, o Bitcoin mantém rali técnico enquanto investidores aguardam confirmação macroeconômica até novembro de 2026.